Pegada suicida: prós e contras em usar uma pegada falsa

A famosa pegada suicida (ou falsa) é um tipo de pegada usada em exercícios onde o polegar não fica envolvido na barra.

Todos nós já conhecemos os avisos.

Se você usar uma pegada falsa, a barra pode rolar da sua mão e cair em cima de você.

O que é realmente verdade.

Em alguns exercícios, como o supino, a piora na execução pode fazer com que a barra saia da sua mão facilmente.

Vários campeonatos de powerlifting proíbem o uso da técnica justamente por isso.

Acontece que apesar do bom senso e segurança irem contra a pegada suicida, isso não impede muitas pessoas de adotarem a técnica.

Na verdade, alertar sobre os perigos parece ter o mesmo peso dos alertas em carteiras de cigarro.

As pessoas continuarão ignorando os avisos e perpetuarão o hábito, independente do que falem.

E não estamos falando apenas do Joãozinho que treina 2 ou 3 vezes por semana e faz rosca direta usando o único suporte de agachamento da academia (leia-se, alguém sem bom senso).

Mas inúmeros atletas de alto nível, pelo mundo inteiro e com anos de experiência nas costas.

O próprio Arnold usava a pegada suicida em praticamente todos os exercícios de empurrar.

Por quê?

Simples.

Se você já usou pegada suicida e sentiu que o exercício ficava mais confortável ou até mesmo mais “fácil”, permitindo até um uso maior de cargas, isso não era apenas uma impressão.

Há benefícios reais ao usar esse tipo de pegada no treino.

Neste texto iremos destrinchar as principais características dessa “técnica” para que você possa criar uma opinião própria sobre o assunto e tome uma decisão mais inteligente.

Prós da pegada suicida

A maioria dos adeptos da técnica dizem sentir mais firmeza durante exercícios como o supino e relatam conseguir usar até mais cargas por conta disso.

Apesar da força do hábito ter uma influência aqui – se você sempre usou pegada falsa obviamente vai achar ela melhor – , os benefícios são reais.

Veja, ao usar uma pegada onde o polegar fica junto do restante dos dedos na barra, coincidentemente podemos alinhar o antebraço, mãos e punhos em uma posição mais mecanicamente vantajosa.

De quebra, este posicionamento reduz a rotação interna do ombro e coloca seu cotovelo em uma posição mais segura para fazer exercícios que empurram a carga (supino e desenvolvimento, por exemplo).

Esta “firmeza” que alguns praticantes relatam nada mais é do que maior estabilidade por conta da posição aprimorada do antebraço e dos ombros, o que realmente permitirá uso de cargas maiores e com menos dores nos ombros.

Se sentir desconfortável durante exercícios como supino ao usar a pegada tradicional, geralmente está relacionada aos ombros e, neste caso, isso pode ser corrigido instantaneamente ao usar a pegada suicida.

Contras da pegada suicida

Apesar dos benefícios atrelados a pegada falsa serem reais e irem além da força do hábito, é preciso entender que na maioria das vezes eles estão atrelados à individualidade do praticante.

Em outras palavras, algumas pessoas podem se beneficiar da pegada suicida e outras não sentirão qualquer diferença, além da força do hábito.

Por exemplo: uma pessoa com mais mobilidade nos ombros talvez não sinta qualquer diferença entre as pegadas e use uma ou outra apenas pelo hábito (sem estar obtendo qualquer benefício extra).

Mas caso você opte pela pegada suicida você está atrelado aos riscos inerentes da prática e isso pode adicionar uma variável a mais no seu treino.

É muito mais seguro usar pegada falsa com um parceiro de treino, para ajudar a tirar e colocar a barra no suporte em toda série.

Mas nem sempre temos essa opção, o que pode ser um problema totalmente desnecessário.

Além disso, mesmo considerando os benefícios da pegada falsa, ao compará-la com a pegada tradicional, não há um oceano de diferença.

Ninguém construirá um corpo fora do comum só porque usava pegada falsa ou pegada tradicional, isto é um detalhe irrelevante perto de outras coisas como dieta e estrutura do treino.

Palavras finais

Não se engane, os perigos envolvendo a pegada falsa são reais e em um deslize você pode sair seriamente machucado da academia.

Porém, como tudo na musculação, existe a maneira correta e incorreta de fazer algo.

Um “belo” dia você pode falhar durante o agachamento livre e a carga cair sobre você.

Todavia as chances disso realmente acontecer são muito baixas.

Por quê? Porque você está ciente do perigo e toma todas as medidas possíveis para isso não acontecer.

Da mesma forma é possível tomar todas as precauções ao usar a pegada suicida em seu treino.

Por isso existem algumas medidas não negociáveis ao implementar a técnica:

  • Em exercícios que permitem muita carga, sempre use um parceiro de treino para tirar e colocar a barra no suporte (os acidentes costumam acontecer aqui).
  • Coloque a barra no meio da sua palma, não nos dedos ou na extremidade da mão.
  • Não deixe a barra “largada”, use os cinco dedos para prendê-la em cima da sua mão.
  • Recrute o antebraço para deixá-lo sempre na mesma posição durante o exercício.
  • Usar pegada suicida para roubar durante o exercício e fazer repetições com má qualidade de execução é o real suicídio – jamais faça isso.
  • Você não precisa usar a pegada suicida se não quiser. Este texto não é a favor (ou contra) a técnica, use seu bom discernimento.

Enfim, o risco de fazer qualquer coisa dentro da academia pode ser minimizado ao usar a devido foco e atenção aos detalhes, ao se preparar e fazer os exercícios.

Isso significa que você sozinho terá a maior influência no risco ao utilizar a pegada suicida.

Portanto respeite seus limites e seja consciente, isso determinará sua longevidade na musculação.

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