Clique aqui

A teoria da confusão muscular é baseado na ideia de que você precisa constantemente mudar os exercícios, repetições, estrutura de treino para “confundir” os músculos e gerar mais crescimento.

O motivo que leva as pessoas a fazerem isto é que – de acordo com a crença popular – após um certo período seguindo o mesmo treino, os músculos irão se adaptar, estagnar e você vai parar de crescer.

Por conta disso, muitas pessoas acabam pulando de um treino para outro freneticamente na esperança de estar confundindo os músculos “o suficiente” e garantindo um crescimento constante.

Por ficar constantemente mudando os estímulos do treino, o seu corpo não consegue se acostumar.

Na teoria, isto evitará estagnação, fazendo o seu corpo crescer constantemente e acelerando a hipertrofia muscular.

Confusão muscular realmente funciona ?

como funciona o princípio da confusão muscular

  • Apenas mudar os exercícios para gerar confusão muscular, não vai promover mais ganhos do que uma rotina bem elaborada, que treine o corpo de maneira completa e focada na sobrecarga progressiva.

Entenda.

O princípio da confusão muscular é um método antigo popularizado pelo “pai” da musculação, Joe Weider.

A premissa parece ser muito promissora.

Gerar sempre estímulos inéditos para o corpo realmente tende a estimular mais hipertrofia.

Contudo isso não necessariamente tem a ver com deixar os músculos constantemente “confusos”.

Quando você incorpora um exercício novo no seu treino, seu corpo tende a gerar novas adaptações, pois não está acostumado com isso ainda.

Isso vai causar dor muscular tardia, vai gerar inflamação e inchaço.

Toda vez que fazemos isso, haverá a impressão de que realmente “espancamos” os músculos com os exercícios novos e no dia seguinte terá o inchaço para provar que realmente foi um treino efetivo.

Mas nada disso significa que haverá maior crescimento muscular.

Músculos precisam de sobrecarga progressiva para crescer

milo de croton e sobrecarga progressiva

Músculos respondem primeiramente à sobrecarga imposta a eles.

Se você obriga os músculos a fazerem cada vez mais trabalho, eles não tem outra saída a não ser se adaptarem ficando maiores e mais fortes.

Acontece que apenas mudar os exercícios a cada treino não necessariamente obriga os músculos a fazerem mais trabalho.

Na verdade, você pode fazer um treino diferente por dia e depois de 5 anos continuar com o mesmo corpo.

Agora, se a cada semana que você treina, você força o uso de cargas cada vez maiores ou um volume de treino maior, fazendo o seu corpo suportar uma carga de trabalho gradualmente maior, isso sem dúvidas resultará em um corpo que precisou se adaptar para suportar isso.

Em suma, realmente precisamos aplicar estímulos novos para gerar crescimento muscular, mas isso precisa ser feito primeiramente através de mais sobrecarga.

Afinal, a essencial da musculação é realizar exercícios com sobrecarga.

É justamente o fato de estarmos realizando movimentos de forma resistida (com pesos) é o que faz os músculos crescerem.

É uma mera questão de bom senso entender que quanto maior é essa sobrecarga imposta, maior tende a ser o crescimento muscular.

E isso não é feito apenas mudando os exercícios.

Mas sim de uma repetição extra ou de 2kg a mais na barra no supino.

Aquele supino que você está acostumado a fazer sempre com a mesma carga.

Mas agora, ao forçar uma repetição extra ou com uma carga extra, seu corpo recebeu uma sobrecarga que nunca viu antes, sendo devidamente estimulado a ficar maior e mais forte.

Em resumo, gerar novos estímulos para os músculos crescerem pode envolver apenas o fato de você estar usando mais sobrecarga.

Então não precisamos mudar os exercícios do treino ?

Mesmo aplicando sobrecarga progressiva, ainda precisamos realizar uma gama de exercícios diferentes para que todas as áreas do corpo sofram a sobrecarga progressiva e possam crescer de forma completa.

Por exemplo: não basta usar apenas supino reto para treinar o peitoral, já que a cabeça clavicular (porção superior) do peitoral só é devidamente ativada usando supino inclinado.

Além disso, conforme você vai ganhando experiência e tamanho muscular, suas necessidades vão mudando e novos exercícios precisarão ser incorporados para suprir fraquezas e corrigir problemas.

Também precisamos fornecer ao corpo diferentes faixas de repetições para periodizar o treino, justamente para evitar que o corpo se acostume com a mesma sobrecarga e seja exposto a estímulos diferentes.

Mas, novamente, nada disso tem relação com apenas gerar confusão muscular, mudando toda a sua rotina sem qualquer estratégia específica, apenas pelo bem de mudar o treino.

Caras como Arnold, sob a tutela de Joe Weider, usavam o método de confusão muscular.

Mas não podemos esquecer que junto da confusão muscular eles usam cargas absurdas e estavam sempre se esforçando para fazer mais e mais.

Isso nem sempre está na mente de quem usa a confusão muscular apenas para fazer um treino diferente e sempre usando o mesmo volume e sobrecarga. Aqui está o erro.

Palavras finais

Existem uma tonelada de conceitos no mundo da musculação que são distorcidos e mal usados.

A confusão muscular é apenas mais um deles.

Enquanto realmente podemos mudar os exercícios do treino para treinar o corpo de maneira completa, nada disso irá funcionar se a única coisa que você faz é mudar o treino.

Nossos músculos se adaptam ao estresse, simples assim.

Contanto que você treine usando intensidade e foco suficiente na progressão de cargas semana após semana, os músculos continuarão crescendo e ficando mais fortes (obviamente, se você continuar garantindo o descanso e nutrição adequados).

Se fosse verdade que o corpo precisa ser confundido sempre com exercícios diferentes, para continuar crescendo, como os atletas de modalidades específicas ficam cada vez melhores, focando-se sempre nos mesmos exercícios ? Pense.

Sim, eles variam o treino deles, principalmente com exercícios de suporte.

Porém, a espinha dorsal da rotina e o exercício mais usado é sempre o mesmo e sempre o que mais produz resultados.

Dito isso, estagnação ainda existe, mas não quer dizer que você precise ficar mudando as coisas freneticamente (e desnecessariamente).

Em vez disso, experimente analisar outros fatores que poderão estar causando a estagnação, como:

  • Falta de intensidade no treino;
  • Usar sempre as mesmas cargas, sem progredir e nunca tentar sair da zona de conforto;
  • Treino com excesso de volume que não permita o corpo se recuperar entre uma sessão de treino e outra (fazendo você estagnar);
  • Não se alimentar de acordo com seu objetivo.

Isto também não  significa que você precise ficar com o mesmo treino para sempre, apenas significa que você deve mudar o treino quando for necessário.

Este texto ajudou você ?

Escreva um comentário