Entre os exercícios em máquinas mais perigosos da musculação, cinco se destacam pela frequência de lesões e acidentes: leg press 45, supino no smith, rosca scott na máquina articulada, máquinas de abdominal e a temida cadeira extensora.
Não se trata de uma lista de exercícios “proibidos”, mas, sim, que exigem cuidado redobrado por facilitarem a ocorrência de problemas, especialmente quando utilizados de forma incorreta.
Entender quais máquinas oferecem mais riscos é essencial para evitar lesões e ter mais resultados.
Quais são os exercícios em máquinas mais perigosos da musculação?
Leg press 45
O leg press 45 é um exercício que naturalmente permite uso cargas elevadas.
O potencial para problemas aqui é variado.
Dependendo do posicionamento dos pés na plataforma, descer a carga demais pode fazer o glúteo perder o contato com o banco e levar o praticante a arredondar a coluna, causando uma retroversão pélvica. Algo que muitas pessoas sequer têm conhecimento da existência e fazem regularmente.
Inversamente, no topo do movimento, não é incomum ver pessoas travando os joelhos, deixando-os totalmente esticados, o que pode causar uma hiperextensão da articulação.
A prática remove completamente a tensão dos músculos das pernas e deixa a carga repousar sobre as articulações do joelho, o que pode forçá-las ao ponto de causar lesões sérias.
Se você teve a infelicidade de ver vídeos de acidentes envolvendo o leg press, é possível especular com relativa confiança que se tratava de algo causado por hiperextensão dos joelhos no topo do movimento, causando uma visão assustadora das pernas do usuário virando do avesso (literalmente).
Por fim, algumas máquinas de leg press podem não oferecer pinos de segurança, esses pinos podem não estar funcionando ou o uso deles pode ser completamente ignorado.
Se houver falha muscular acidental durante o exercício, sem pinos de segurança o praticante ficará preso na máquina, sendo prensado por cargas potencialmente altas.
Supino reto e declinado na máquina smith
Tanto o supino reto e declinado com barra ou usando o smith, podem deixar o praticante preso em caso de falha muscular inesperada.
No entanto, a máquina Smith adiciona variáveis que pioram as coisas em casos de emergência.
Ao ficar preso por falha nesses exercícios com a barra livre, ainda há formas de se livrar da carga, como deixar as anilhas caírem ao inclinar a barra para um lado (na ausência de presilhas).
Ao ficar preso no Smith, se a trava de segurança não foi ajustada ou o aparelho em questão não oferecia esse dispositivo de segurança, o praticante ficará preso até ser “resgatado” por terceiros. Fora isso, basicamente não há como se livrar da barra.
Os riscos e as consequências de ser prensado por uma barra (provavelmente) pesada justamente no peitoral beiram o óbvio.
Rosca scott na máquina articulada
Rosca scott, seja com barra livre ou máquina, é um ótimo exercício para treinar o bíceps através de uma grande amplitude de movimento.
Contudo, ao fazer o exercício sentado, especialmente em máquinas articuladas, podemos estender o cotovelo além do necessário, colocando a articulação em uma posição favorável a lesões.
Basicamente, o perigo real aqui está em permitir que essa hiperextensão da articulação ocorra.
Nessa posição de alongamento extremo, o tendão distal do bíceps fica extremamente vulnerável a uma ruptura parcial ou completa, uma lesão grave e de difícil recuperação.
A máquina articulada pode agravar isso por fixar todas as pessoas no mesmo plano de movimento, onde algumas delas poderão cometer o erro de maneira mais fácil do que outras.
Além disso, como a máquina estabiliza o movimento, proporcionando uma sensação de fluidez e segurança durante o movimento, não é incomum se sentir mais confiante para aumentar as cargas.
Abdominal na máquina
Máquinas específicas para treinar o abdômen frequentemente favorecem uma execução incorreta do movimento, prejudicando não só o recrutamento dos músculos que deveriam ser trabalhados, como aumentam o risco de lesões.
Seja por falta de experiência do praticante para regular a máquina corretamente ou por ela não permitir uma gama variada suficiente de ajustes, muitas pessoas não conseguem realizar o movimento de flexão da coluna com liberdade e naturalidade suficientes para ativar os músculos do abdômen da forma correta.
O perigo aqui reside na habilidade da máquina em adicionar carga ao movimento, o que pode introduzir estresse desnecessário na coluna e treinar músculos que não deveriam ser treinados.
Na prática, muitas pessoas acabam treinando os flexores do quadril, em especial o iliopsoas, enquanto o abdômen é recrutado de forma isométrica.
Como os flexores do quadril são mais fortes que o abdômen, o praticante pode sentir que está treinando o músculo-alvo, mas não tem a consciência corporal para perceber o que realmente está acontecendo, mascarando um problema que pode acarretar em lesões no futuro.
Cadeira extensora
Devido à forma como a articulação do joelho é exigida durante o exercício, a cadeira extensora é provavelmente um dos exercícios mais controversos da musculação.
Por ser um movimento de “cadeia cinética aberta” (onde os pés não estão fixos em uma superfície), a extensora tem o potencial de colocar essa articulação em uma posição vulnerável ao impor estresse direto sobre o ligamento cruzado anterior (LCA) do joelho.
Isso dificilmente será um problema para pessoas com joelhos saudáveis e que usam a máquina da forma correta.
No entanto, na prática, muitas pessoas priorizam o uso da máquina acima de outros exercícios mais difíceis e ainda tentam compensar o esforço através do uso excessivo de cargas, comportamento que quase sempre vem acompanhado de outros problemas, como a má execução do movimento.
Todos esses detalhes, quando somados, acabam, mesmo que injustamente, tornando a cadeira extensora um exercício potencialmente perigoso.