Um braço maior (ou mais forte) que o outro: como corrigir

Ter um braço maior e/ou mais forte que o outro é mais comum do que você possa imaginar e a correção do problema é simples, talvez exigindo apenas paciência do praticante.

Na verdade, um braço sempre será maior e mais forte do que o outro. Geralmente do lado dominante do corpo.

Se você é destro, então provavelmente o seu braço direito é mais forte e maior que o braço esquerdo (apesar de haver exceções à regra).

O ponto da questão é que um braço (ou lado do corpo) sempre vai ser maior e mais forte, porque nos acostumamos a realizar a maior parte das tarefas com um ou outro lado.

Porém esta assimetria, tanto estética como funcional, pode ser maior em algumas pessoas, ao ponto de influenciar os resultados na musculação.

Ou pior ainda, você notou que o problema surgiu/piorou depois de começar a treinar.

Independente do caso, a boa notícia é que corrigir o problema com a própria musculação é muito fácil.

Aqui vão quatro maneiras simples para corrigir assimetrias entre os braços (e isso pode ser usado para qualquer outra parte do corpo também).

Algumas dicas poderão parecer óbvias e você já “pode estar fazendo”, mas peço que leia com atenção todo o texto, pois há algumas mudanças sutis que fazem toda a diferença.

1 – Implemente exercícios unilaterais (para toda a porção superior)

Se você tem um braço visivelmente maior do que o outro, é muito provável que outros músculos do mesmo lado também sejam.

E se um lado é mais forte do que outro, praticamente todos os exercícios feitos usando uma barra serão dominados pelo lado mais forte e, com o tempo, piorarão o problema.

Por exemplo: se você faz rosca direta com barra, onde ambos os braços deveriam trabalhar juntos, o lado mais forte fará mais trabalho.

O pior é que em alguns casos você sequer perceberá. No fim da série, a percepção do cansaço pode ser a mesmo.

O passo inicial para corrigir o problema é simplesmente começar a substituir exercícios bilaterais (onde você usa ambos os lados ao mesmo tempo) por unilaterais (onde você usa um braço de cada vez).

Exercícios que você trabalha cada lado de forma independente também.

O pulo do gato aqui, por assim dizer, é fazer essa alteração para toda a porção superior do corpo – e não apenas para braços.

Por exemplo, quando fazemos o supino reto com barra, não treinamos apenas peitoral mas tríceps e deltoides também.

Se o seu deltoide anterior e tríceps do lado direito são mais fortes, então você será mais forte em vários exercícios para tríceps também.

Na verdade, até no treino de bíceps já que o deltoide anterior é um estabilizador em exercícios como rosca direta.

Portanto não basta apenas mudar os exercícios no treino de bíceps e tríceps, mas na porção superior toda inteira também.

E, novamente, quando isso for viável. No treino de costas, há variações de puxadas verticais com uma mão, mas as opções são menores. Então use o bom senso nas substituições.

2 – Sempre comece pelo lado mais fraco

Você já reparou que você sempre começa exercícios unilaterais pelo lado mais forte?

Da mesma forma que você segura um copo d’água com o lado direito se você é destro, por uma questão de costume o mesmo ocorre no treino.

É o lado que você naturalmente use toda vez que precisa erguer, segurar, mover, levantar algo e está operando no “modo automático”.

É totalmente normal.

Porém, na musculação, isto se torna um problema porque você começa o exercício com o lado mais forte e enquanto seu sistema nervoso ainda está “inteiro”.

Sem entrar em detalhes que não são do escopo do texto, seu sistema nervoso é quem dá o comando aos músculos e ele também sofre fadiga.

Agora imagine a seguinte situação: você vai fazer serrote (remada unilateral) com o lado mais forte e dá todo seu esforço possível para treinar pesado.

Seu sistema nervoso acaba de tomar uma bronca depois de levantar uma carga muito pesada com apenas um lado do corpo (algumas pessoas chegam a levantar metade do peso corporal no serrote).

E agora, sem descanso, você vai treinar o outro lado, o mais fraco, que já tem a desvantagem de ser o mais fraco e menos resistente.

Consegue entender o problema óbvio em começar pelo mais forte?

Resumindo: em exercícios onde é possível treinar de forma unilateral, comece sempre pelo lado mais fraco.

3 – O lado fraco sempre deve ditar o treino do lado forte

Aqui temos outra cilada comum que podemos cair sem perceber.

Mesmo que você use exercícios unilaterais para garantir que ambos os lados façam o mesmo esforço.

Mesmo que você comece pelo lado mais fraco pra evitar que a fadiga do SNC atrapalhe.

Seu lado mais forte… ainda é mais forte.

Deixa eu dar um exemplo que fará você entender perfeitamente essa situação.

Tente se lembrar de alguma vez onde você realizou um exercício com o braço mais forte e na última série, com muito esforço, conseguiu 10 repetições.

Então, quando foi treinar o lado mais fraco, foi pego de surpresa ao falhar na 9 repetição.

A série termina e agora não há como voltar no tempo, o lado forte, novamente, fez mais esforço.

No treino seguinte você já esqueceu que isso aconteceu e acaba fazendo isso em um ou outro exercício de novo.

No decorrer dos 365 dias do ano, quantas vezes você acha que o lado forte fez mais esforço?

Pode ter certeza que estes pequenos ocorridos acumulam com o tempo e acabam formando um desequilíbrio muscular muito maior.

Em todo caso, apenas começando pelo lado mais fraco, como no item 2, já resolve o problema.

Se você só conseguiu fazer 8 repetições com o lado fraco, então o lado forte também faz 8 repetições, mesmo que você tenha forças de sobra para continuar com o lado forte.

Fazer isso, com o tempo, dará a oportunidade pro lado mais fraco alcançar o mais forte e, às vezes, resolver completamente o problema.

4 – Resolva possíveis problemas de mobilidade e posturais

Se você for reparar friamente, todos os itens anteriores são intuitivos e, em alguns casos, você já pode estar implementando isso e ainda sofre com um lado sendo mais forte.

Antes de qualquer coisa entenda que o problema não vai sumir em apenas 8 semanas.

Pense, você passou vários anos dando preferência ao seu lado mais forte e por isso tem um problema. Isso não será resolvido da noite para o dia (outra dica óbvia).

Portanto não basta adotar as dicas acima por 2 dias e achar que tudo deveria estar resolvido. Não. Leva tempo.

Mas tirando tudo isso fora do caminho, algumas pessoas poderão ter problemas que vão além das expectativas irreais ou do óbvio.

Nesta situação, problemas posturais e de mobilidade são os principais culpados.

Uma pessoa com escoliose, por exemplo, onde existe uma inclinação ou rotação da coluna não natural para alguma direção, sempre poderá inclinar-se para um determinado lado e mudar como os lados do corpo exercem esforço no treino.

Outro exemplo é falta de mobilidade. Por ficar em má postura o dia inteiro, um lado do seu corpo pode ser mais encurtado e você não conseguirá realizar atividades com a mesma performance.

Portanto se você desconfia que pode ter algum problema do gênero, procure ajuda.

Neste caso não é apenas uma questão de um lado do corpo ser mais forte que o outro, mas uma questão de prevenir lesões no futuro.

2 comentários em “Um braço maior (ou mais forte) que o outro: como corrigir”

  1. No meu caso, há uma diferença, porém, o braço esquerdo é maior e tem mais força e resistência na realização dos exercícios. O direito sucumbe / falha antes. E eu sou destro.

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  2. Muito útil o texto, seguramente vai me auxiliar, sou destro, porém em razão de cirurgia, fiquei com o braço direito mais fraco (4 meses de gesso). Redator/admin, poderia dar algumas dicas para quem não tem total amplitude no punho? o treino de peito ficou deveras complicado. Abraços !

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