Postado 8/08/2016 às 00:30 08/8, 2016 11 horas atrás, Danilo Z disse: 11 horas atrás, Torf disse: Botando + lenha no fogo: Spoiler ELE NÃO INVENTOU O AVIÃO - NEM O RELÓGIO DE PULSO O aviador mineiro Alberto Santos Dumont foi uma grande figura. Filho de um dos maiores cafeicultores do mundo, amigo de magnatas e princesas e provavelmente gay, era uma estrela dos cafés e dos bulevares de Paris durante a Belle Époque. Nos anos de paz, otimismo e inovação que alegraram a França no começo do século 20, enquanto os irmãos Lumière inventavam o cinema e os expressionistas inovavam a pintura, Santos Dumont encantava a capital do mundo com os balões. Provou que as estruturas movidas a hidrogênio ou ar quente poderiam ser dirigíveis e tornou propriedade pública o direito de alguns de seus inventos, permitindo que qualquer pessoa copiasse os projetos de graça. Infelizmente, entre as conquistas do brasileiro não se inclui a descoberta do avião. Na verdade é um pouco infantil insistirmos que Santos Dumont inventou o avião. O crédito dessa descoberta é obviamente dos irmãos Orville e Wilbur Wright. Os dois fabricantes de bicicletas dos Estados Unidos voaram antes, voaram mais e contribuíram muito mais para a indústria aeronáutica que o inventor brasileiro. Os patriotas que defendem Santos Dumont como o grande pioneiro da aviação costumam se basear em dois argumentos principais: 1. O argumento do registro oficial Santos Dumont foi o primeiro homem a registrar um voo controlável com um objeto mais pesado que o ar (e não um balão de ar quente). Essa façanha ocorreu no dia 12 de novembro de 1906, no Campo de Bagatelle, arredores de Paris. A bordo do 14-Bis, ele voou uma distância de 220 metros. Apesar de ter atingido uma altura máxima de 6 metros, conquistou um prêmio de 1.500 francos do Aeroclube Francês, destinado a quem conseguisse voar por mais de 100 metros de distância. Já os irmãos Americanos Orville e Wilbur Wright e outros pioneiros, que afirmam ter voado antes de 1906, não registraram o feito nem o comprovaram em público como fez o brasileiro. 2. O argumento do estilingue Os aviões dos irmãos Wright não saíam do chão usando força própria. Uma catapulta os impulsionava no momento da decolagem, que também era facilitada por uma linha de trilhos em declive. Como o comitê francês que premiou Santos Dumont proibia forças externas empurrando os aparelhos, a façanha dos Wright é inválida. Já o 14-Bis de Santos Dumont realizou um voo autônomo, impulsionado por um motor próprio. Veja a seguir cinco razões para não acreditar nesses dois argumentos. E uma boa história sobre prováveis picaretagens do grande herói brasileiro. Enquanto os irmãos Wright inventavam o avião, Santos Dumont construía balões É 17 de dezembro de 1903. Das 10 horas e 35 minutos até o meiodia, os irmãos Orville e Wilbur Wright fazem pequenos voos (de 36, 53, 61 e 260 metros) numa praia perto de Kitty Hawk, Carolina do Norte, Estados Unidos. O Museu do Ar e do Espaço, da França, e a Associação Aeronáutica Internacional reconhecem o episódio como a primeira vez em que o homem saiu do chão com uma máquina dirigível mais pesada que o ar. O Flyer 1 usa correntes de bicicleta, madeiras de construir casas e, exatamente como os aviões do futuro, hélices, um motor a gasolina e asas levemente curvas. O garoto Johnny Moore, o salva-vidas John Daniels e mais outras duas pessoas testemunham o fato; uma foto o registra. Um operador de telégrafo transmite a notícia para o pai, fazendo a novidade, contra a vontade dos dois irmãos, vazar para a imprensa. O jornal Dayton Daily News começa citando um homem que na época fazia sucesso mundial com balões dirigíveis: GAROTOS DE DAYTON IMITAM O GRANDE SANTOS DUMONT Orville e Wilbur Wright construíram um avião que fez três testes com sucesso. O jornal logo acrescenta uma novidade frente ao balonismo: O Wright Flyer é uma máquina de voar de verdade. Não tem bolsas de ar ou balão de nenhum tipo, mas é suportada por um par de aerocurves ou velas. E a energia vem de um motor a gasolina. Na mesma época, Santos Dumont mal imagina que pode sair do chão com um aparelho desprovido de bolsas de ar quente. Os balões lhe rendiam fama mundial desde 1901, quando, a bordo de um modelo alongado, com hélice e um leme, conseguiu dar uma volta na Torre Eiffel. Em 1903, o brasileiro não quer abandonar os balões, pelo contrário. Acha que eles são o futuro do transporte urbano. Enquanto, nos Estados Unidos, os irmãos Wright voam em aparelhos motorizados com asas levemente curvadas, o brasileiro constrói o dirigível-ônibus. Trata-se de um balão com dez cadeiras enfileiradas. O aparelho nunca decolou com mais de uma pessoa e não deixou legado nem para o balonismo nem para a aviação moderna. A façanha de Santos Dumont abriu caminho para a criação de enormes balões transatlânticos, como o Zepelim. Há, sim, provas e testemunhas dos voos dos irmãos Wright É verdade que não houve registro oficial do voo dos americanos, sobretudo porque não existia, nos Estados Unidos, prêmios e concursos para pioneiros iguais aos que havia na França. Também porque os dois irmãos estavam muito mais preocupados em ganhar dinheiro com a fabricação de seu projeto que conquistar prêmios e notícias adulatórias nos jornais. Quando alguém perguntava por que eles não faziam voos públicos, os dois diziam: ”Não somos artistas de circo”. Além da discrição, os Wright pensavam que, se alguém patenteasse o avião antes deles, todo o esforço em construir as estruturas e testá-las iria pelos ares. Temiam que o projeto fosse copiado por outros inventores, sobretudo o físico Samuel Langley. Ao contrário dos dois bicicleteiros, Langley era um inventor influente. Estudos que ele fez fundamentaram a primeira medição do efeito estufa, realizadas pelo químico sueco Svante Arrhenius. Em 1898, o físico americano construiu um pequeno planador não tripulado, que voou 1.200 metros. Secretário do Instituto Smithsonian, o grande centro de museus e pesquisas dos Estados Unidos, tinha recebido 70 mil dólares do governo americano para construir um avião tripulado. Se esse inventor renomado copiasse o projeto dos Wright, os dois irmãos morreriam tentando provar o plágio. Preferiam, portanto, ter certeza de que haviam inventado o avião antes de divulgar a descoberta. A certeza chegou em 1904, quando os Wright somaram 45 minutos de voo. Estavam tão seguros do pioneirismo que resolveram chamar a imprensa. voos desse ano e do seguinte foram testemunhados por viajantes, empresários e repórteres. Em outubro de 1905, os dois mandaram trinta convites para que testemunhas de credibilidade os assistissem. E elas se deslumbraram. No dia 5 de outubro, Wilbur Wright voou com o Flyer 3 durante 39 minutos, percorrendo 38,9 quilômetros. Bateu o recorde de distância e fez os primeiros voos circulares, dando trinta voltas no campo de testes. Cerca de sessenta pessoas assistiram àquela e a outras demonstrações. A lista de testemunhas incluía o dono do terreno onde os voos aconteceram, o presidente de um banco da cidade de Dayton, além de um auditor público, o tesoureiro de uma casa de empréstimos, dois farmacêuticos, um administrador dos Correios e um bombeiro. Outra testemunha, Amos Root, um criador de abelhas metido a jornalista, escreveu uma carta para a revista Scientific American oferecendo um artigo sobre a descoberta dos irmãos. Os editores recusaram — provavelmente porque naquela época anúncios assim eram comuns e quase sempre infundados. A revista desconfiava dos dois bicicleteiros. Em fevereiro de 1906, um de seus artigos perguntava se os dois eram ”aeronautas ou mentirosos”, visto que tentavam vender seu projeto antes de fazer demonstrações aos compradores. Um ano depois, porém, a Scientific American admitiu o erro. Depois de entrevistar 17 testemunhas dos voos, a revista voltou atrás e concordou com a versão dos Wright. Um ano antes de Santos Dumont exibir-se com o 14-Bis, voar já era uma rotina para os irmãos Wright. Depois dos voos espetaculares de 1905, eles resolveram encerrar a fase de testes. Dedicaram-se a vender a ideia e ganhar dinheiro com ela. No dia 19 de outubro de 1905, escreveram para o Departamento de Guerra dos Estados Unidos já com um toque de arrogância: Não pensamos em pedir ajuda financeira do governo. Nós propomos vender os resultados dos experimentos feitos com nosso próprio dinheiro. Também pediram detalhes do negócio: Não podemos fixar um preço nem um prazo de entrega, até ter uma ideia das qualificações necessárias para a máquina. Também precisamos saber se vocês desejam reservar o monopólio do uso dessa invenção, ou se permitirão que aceitemos pedidos de máquinas similares para outros governos, e para dar demonstrações públicas etc. Se não houve demonstrações na França como aconteceu com o 14- Bis, existem ao menos documentos provando que os Wright construíam aviões muito antes de Santos Dumont. Em maio de 1906, os dois obtiveram o registro de patente número 821.393, referente a controles de uma máquina de voar. A patente contém esboços do Flyer 1, detalhando dimensões e o funcionamento dos mecanismos de aerodinâmica e controle, possibilitando máquinas voarem para os lados, para cima e para baixo. Na descrição do projeto, os irmãos definem sua criação: ”Nossa invenção é relacionada à classe de máquinas de voar em que o peso é sustentado por reações resultantes em aeroplanos sob um pequeno ângulo de incidência, através da aplicação de força mecânica ou pela utilização da força da gravidade”. Lembra um avião, não? A patente (registrada, comprovada e existente até hoje) foi requerida três anos antes, ou seja, em 1903. Demorou para ser aprovada, mas nem tanto. Saiu em maio de 1906, seis meses antes de Santos Dumont ganhar prêmios com o 14-Bis. Se o herói brasileiro não foi tão importante para aviação, pelo menos se atribui a ele, como um prêmio de consolação, a invenção do relógio de pulso. A ideia teria surgido num dos tantos jantares no badalado restaurante Maxim’s com o joalheiro Louis Cartier. SANTOS DUMONT NÃO INVENTOU O RELÓGIO DE PULSO Queixando-se da dificuldade de consultar a hora durante os voos nos balões, Santos Dumont teria inspirado o amigo a criar o modelo portátil. O brasileiro certamente contribui para o relógio de pulso voltar à moda, mas a invenção do aparelho é de muito antes. Relógios assim eram comuns desde os tempos de Shakespeare - a rainha Elizabeth Primeira (1533-1603) tinha um. Em 1868, a empresa Patek Philippe reinventou a peça, que também foi usada por militares nos campos de batalha do século 19, como na Guerra FrancoPrussiana. O 14-BIS NÃO VOAVA: DAVA PULINHOS Em 1905, enquanto os irmãos Wright preparavam o Flyer para a venda, Santos Dumont passava tardes soltando pipa e atirando com arco e flecha. Não era só um passatempo francês. O aviador tentava aprender um pouco mais sobre aerodinâmica e asas planas, uma ciência nova para ele. Santos Dumont custou a se convencer de que os balões de ar quente não eram o futuro do transporte aéreo. Na virada do século 20, ninguém dominava mais essa tecnologia do que ele, o que lhe rendia prêmios e homenagens ao redor do mundo. Em 1904, foi convidado a participar da competição aérea da feira de Saint Louis, nos Estados Unidos. A cidade sediava as Olimpíadas de 1904 e organizava também uma das maiores mostras de ciência do mundo (veja na página 240 o escândalo que envolveu Santos Dumont nessa cidade). De volta a Paris, onde notícias dos voos dos irmãos Wright já circulavam, o brasileiro percebeu que os pioneiros franceses já não se importavam tanto com balões. Em outubro de 1904, três desafios foram lançados aos aviadores. O maior deles, o Grande Prêmio da Aviação, patrocinado pelos milionários Ernest Archdeacon e Henry Deutsch, daria 50 mil francos para quem voasse pelo menos um quilômetro com um aparelho mais pesado que o ar, e não um balão. Santos Dumont, que já tinha ganhado um prêmio desses em 1901, quando contornou a Torre Eiffel a bordo de um balão, ficou interessadíssimo. Ele adorava ganhar prêmios e sair nos jornais. Com o novo desafio, não perdeu tempo. Correu para estudar as asas planas e apresentar projetos com essa tecnologia. De acordo com o biógrafo Paul Hoffman, Santos Dumont pagava três empresas de clipping, o serviço de recortes de jornais, para seguir as notícias sobre si próprio. A primeira tentativa é o Número 11, um monoplano (avião com apenas uma linha de asas) sem espaço para o piloto. Rebocado por uma lancha para ganhar impulso, o N-11 não descolou do rio Sena. Santos Dumont partiu então para o projeto N-12, um helicóptero com dois motores. Tampouco saiu do chão. Sem paciência e sucesso com as máquinas mais pesadas que o ar, o aviador voltou aos saudosos balões. O Número 13 é o projeto de um balão enorme, uma casa flutuante. Seria um aparelho híbrido, movido a ar quente e gás hidrogênio, que ficaria no ar por dias seguidos. O projeto era um perigo: o gás hidrogênio é um combustível muito potente, usado hoje em dia em foguetes e ônibus espaciais. Advertido pelos amigos sobre a possibilidade de o hidrogênio explodir com a chama que aquecia o ar, Santos Dumont cancelou o projeto antes mesmo de apresentá-lo. Veio então o Número 14. O projeto original desse aparelho também era um híbrido - meio balão, meio avião. Uma bolsa de hidrogênio anexa ao avião aliviava o peso de toda a estrutura. Como o balão tirava o equilíbrio das asas, Santos Dumont resolveu eliminá-lo (também por causa da insistência dos amigos de que balão era coisa do passado). O N-14 era uma máquina enorme, com dez metros de comprimento e doze de largura. Ao contrário de quase todos os aviões posteriores, tinha a hélice atrás e as asas na frente. O piloto, como em balões, ia em pé, numa cesta, e as asas tinham formato de caixas. Apesar da estranheza do aparelho, o aviador resolveu chamar as autoridades para assisti-lo. Depois de uma estreia em outubro, surgiu o dia de sua consagração. Foi em 12 de novembro de 1906. No Campo de Bagatelle, diante de uma multidão, ele ligou o motor improvisado de um automóvel e percorreu, dentro do cesto do 14-Bis, 220 metros, chegando a uma altura máxima de 6 metros. Sem saber que os americanos já tinham voado muito mais nos anos anteriores, os jornais franceses estamparam Santos Dumont como o grande pioneiro aéreo. O brasileiro, porém, não ganhou os 50 mil francos do Grande Prêmio da Aviação, já que percorreu menos de um quilômetro. Levou dois prêmios muito menores: 1.500 francos do prêmio do Aeroclube, destinado a quem conseguisse voar mais de 100 metros com um avião mais pesado que o ar, e 3 mil francos oferecidos por Ernest Archdeacon para quem voasse mais de 25 metros (o milionário era mais generoso que o Aeroclube). É preciso repetir essa informação: havia um grande prêmio para aviadores na França, que Santos Dumont não ganhou. Seu feito de novembro de 1906, que os patriotas defendem como o grande dia da invenção do avião, rendeu apenas prêmios de consolação. O Grande Prêmio foi conquistado em 1908 pelo aviador Henri Farman. A distância do principal voo do 14-Bis foi 180 vezes menor que a do voo mais longo dos Wright em 1905. Um ano antes de Santos Dumont criar o 14-Bis, os irmãos americanos voaram cerca de cinquenta vezes, percorrendo uma distância de 39,5 quilômetros de uma vez só. O herói brasileiro só voaria mais uma vez com o 14-Bis, em abril de 1907. Depois de um voo de 30 metros de distância, a máquina se desequilibrou bruscamente e bateu no chão. A asa esquerda despedaçou-se. É instigante imaginar Santos Dumont exatamente nesse momento. Após meses tentando tirar o aparelho do chão e mantê-lo equilibrado no ar, ele se vê dentro de uma geringonça defeituosa e quebrada. Em silêncio e secretamente, deve ter percebido a verdade dolorosa: o 14-Bis não voava. No máximo, dava uns pulinhos. O projeto foi abandonado. Seu ”pato”, como era chamado pelos franceses(O apelido canard - ”pato” em francês acabou nomeando um estilo de avião em que o leme fica na parte da frente, antes das asas), deixaria um legado pequeno. Nem Santos Dumont nem nenhum outro aviador levariam para frente a ideia de um avião formado com asas em forma de caixa e uma cesta de balão para levar o piloto. A comparação do 14-Bis com um pato não é de todo injusta: soa até como um elogio. Entre as espécies de patos, há diversas aves migratórias, capazes de voar centenas de quilômetros a 1.500 metros de altura — superando de longe os limites do 14-Bis. OS FRANCESES ESQUECERAM SANTOS DUMONT QUANDO CONHECERAM OS WRIGHT Quando a notícia do voo de Santos Dumont chegou aos Estados Unidos, os irmãos Wright deram de ombros. Disseram aos jornalistas que a façanha não tinha para eles ”o mesmo grau de relevância que as pessoas do outro lado do Atlântico atribuem”. Nessa época, não estavam interessados em fazer aviões voar, mas em vendê-los. Em outubro (um mês antes do grande voo de Santos Dumont), já fechavam acordos comerciais. Charles Taylor, um homem de negócios de Nova York, conseguiu permissão para ser o representante de vendas dos Wright na França, Inglaterra e Alemanha. Em maio de 1907, Howard Taft, secretário de Defesa do presidente Americano Theodore Roosevelt, escreveu aos Wright pedindo que apresentassem uma proposta de venda em série de aviões e instruções de voo. Os dois irmãos voltaram para a oficina, com o objetivo de construir várias unidades do Flyer 3. No ano seguinte, finalmente convenceriam os europeus. A Compagnie Générale de Navigation Aérienne, da França, tinha se interessado em comprar a patente e fabricar aviões - não, não os de Santos Dumont, mas os dos irmãos Wright. Para fechar o contrato, era preciso uma demonstração. Ela aconteceu em 8 de agosto de 1908, em Le Mans, a 30 quilometros de Paris. Wilbur Wright deixou os franceses estupefatos com seus longos, altos e ininterruptos voos em forma de oito. ”O senhor Wright tem todos nós em suas mãos”, disse, depois dos testes, Louis Blériot, amigo de Santos Dumont e aviador que no ano seguinte seria primeiro homem a sobrevoar o canal da Mancha. Uma declaração ainda mais efusiva veio de Ernest Archdeacon, o milionário que dois anos antes tinha dado 3 mil francos a Santos Dumont. Disse ele: Por muito tempo, os irmãos Wright foram acusados de serem impostores. Hoje eles são venerados na França e eu me incluo com prazer entre os primeiros a se corrigir. Os irmãos usavam mesmo uma catapulta e trilhos para impulsionar o Flyer. O mecanismo simplificava a decolagem. Ganhando impulso sobre um par de rodas de bicicleta que corria em trilhos, o avião não sofria solavancos causados por buracos ou elevações do chão. Além disso, as rodas deixam o avião mais pesado, o que aumentava a distância que tinha de ser percorrida durante a decolagem. Com um contrapeso de 700 quilos catapultando o avião, os trilhos poderiam ser mais curtos - com apenas 20 em vez de 70 metros -, e não precisavam ficar na direção do vento. Esse artifício ajudava, mas não era imprescindível. Os primeiros voos da história, em dezembro de 1903, e outros quarenta (bem mais altos e longos que os de Santos Dumont) aconteceram antes de eles criarem o sistema de impulso. Em 1908, nas demonstrações da França, os técnicos que observaram o voo de Wilbur Wright questionaram o invento porque ele usava uma força exterior para a decolagem. O americano sequer discutiu. Resolveu decolar sem os trilhos e a catapulta. Voou e quebrou recordes do mesmo modo. Entre agosto e novembro de 1908, Wilbur Wright ganharia 4.500 francos do Aeroclube Francês, por bater o recorde de distância e duração de voo único, o recorde de distância e duração em voo com uma passageira e dois recordes de altura. No dia 31 de dezembro, para fechar as apresentações na França, ele ficou no ar durante 2 horas, 18 minutos e 33 segundos. Ex-mecânico de bicicletas que resolveu fazer aviões, homem que recusava hotéis para dormir no campo de testes, embaixo da asa do seu invento, Wilbur voava tão sem cerimônia e quebrava recordes com tanta facilidade que, aos olhos franceses, deve ter ficado a ideia de que ele voava já há alguns anos, talvez desde 1903, como afirmava. ”Quando os irmãos Wright realizaram suas demonstrações perto de Mans em 1908, todos os construtores franceses disseram: ’Temos que rever nossos estudos’”, afirma Stéphane Nicolaou, historiador do Museu do Ar e do Espaço da França, no documentário Santos Dumont - O Homem Pode Voar, produzido em homenagem aos cem anos do 14-Bis. ”Eles ficaram entusiasmados e ao mesmo tempo um pouco abatidos por não terem chegado àquele ponto.” Em todo o mundo (com exceção do Brasil), a polêmica sobre o pioneirismo do avião acabou ali. Em 1908, os Wright mostraram que a criação do avião tinha ultrapassado a fase de testes e façanhas extraordinárias. O avião já era uma realidade, bastava apenas alcançar a produção industrial. O mundo todo havia se dado conta de que os irmãos americanos eram incomparavelmente mais importantes para o pioneirismo da aviação. ”Até mesmo os franceses mais nacionalistas convenceram-se de que os Wright realmente dominavam as máquinas mais pesadas que o ar, pois Santos Dumont permanecera no ar por pouco tempo”, afirma o jornalista Paul Hoffman, ex-diretor-presidente da Encyclopedia Britannica e autor de Asas da Loucura, a melhor biografia sobre Santos Dumont. Há traços interessantes na vida de Santos Dumont, como o fato de encarar a aviação como uma arte. Também se afirma que era um pacifista radical. Segundo a lenda em torno de sua morte, em 1932, ele ficou muito triste depois de ouvir um bombardeio aéreo ocorrido perto do seu hotel no Guarujá. Era o auge da Guerra Civil, a Revolução Constitucionalista, e São Paulo lutava para se separar do Brasil. ”Eu nunca pensei que minha invenção fosse causar derramamento de sangue entre irmãos. O que eu fiz?”, teria dito ele logo antes do suicídio. ELE NÃO ERA PACIFISTA É difícil acreditar que o aviador nunca tivesse pensado na utilidade militar dos aviões. Assim como as agências espaciais hoje em dia, os pioneiros da aviação se interessavam muito pela utilidade estratégica dos inventos. Quanto mais importância a tecnologia tivesse, mais atenção e dinheiro arrecadariam. Além disso, elementos voadores como os balões participavam de guerras havia muito tempo. No século 19, estavam na Guerra da Secessão nos EUA e foram usados até pelo Brasil durante a Guerra do Paraguai, para avistar a posição das tropas inimigas nas trincheiras. Na verdade, apesar da pecha de pacifista nos últimos anos de vida, Santos Dumont sabia da utilidade militar dos elementos aéreos e a promovia. Numa carta enviada aos jornais americanos em 1904, ele próprio afirma que ”a França adotou meus planos de balões militares e pretende aproveitá-los na próxima guerra”, e que o Japão solicitava seus balões para uso militar, o que incluía ”jogar explosivos de alta potência em Port Arthur [no Pacífico]”. Guerra no Pacífico, bombas de alta potência... isso lembra os ataques atômicos a Hiroshima e Nagasaki. O MELHOR AVIÃO DE SANTOS DUMONT É MUITO PARECIDO COM O DOS WRIGHT O brasileiro não compareceu a nenhum voo de Wilbur Wright - eles jamais se conheceram. Enquanto o Americano conquistava personalidades e fábricas da França, o brasileiro estava enfurnado na oficina, resolvendo problemas do N-19. A estrutura, construída a partir de 1907, ganhou o nome de Demoiselle - ”Senhorita” em francês. A máquina era quase o contrário do 14-Bis e muito parecida com o Flyer que os Americanos tinham patenteado. O piloto ficava embaixo das asas, sentado(não mais em pé numa cesta de balões), o leme, na parte de trás; as asas não eram em forma de caixa, mas simples asas levemente curvadas. Nos primeiros testes, o N-19 pousou mal e quebrou. Depois, colocando o motor embaixo da cadeira do piloto, Santos Dumont conseguiu fazer do Demoiselle um avião confiável, dirigível, que não dava apenas pulinhos. Após apresentá-lo em março de 1909 num campo entre Paris e Versalhes, percebeu que tinha enfim chegado a um avião de verdade. Com o Demoiselle, o aviador brasileiro quebraria recordes relevantes: bateria 90 quilômetros por hora no fim de setembro de 1909. Também conseguiu, finalmente, criar alguma coisa cujo legado se estenderia até hoje. O Demoiselle N-20 inspirou não exatamente o avião, mas o popular ultraleve. O pioneiro tornou públicos os direitos do projeto - em 1910, a revista Popular Mechanics publicou a planta do Demoiselle, fazendo aviões similares brotarem em todo o mundo. Apesar do sucesso como um dos grandes pioneiros da aviação, o brasileiro já não se animava como antes. Foi pouco a pouco se isolando dos amigos, acusando-os de o terem abandonado. Descobriu que sofria de esclerose múltipla e foi embora de Paris. Passou a morar numa casa à beiramar em Benerville, na Normandia. Ficou lá até 1914, quando os alemães declararam guerra à França. A vizinhança achou que o brasileiro era um espião, uma vez que ele andava pela vila fazendo observações com um telescópio alemão. Ofendido com a suspeita, ele decidiu se mudar para o único lugar onde ainda era conhecido como o inventor do avião: o Brasil. Por aqui, Santos Dumont voltou a ser uma celebridade. O Brasil era um país carente de heróis nacionais e o aviador adorava cumprir essa demanda. Apesar de ter recuperado um restinho do estrelato, ele ficaria para sempre ofendido por ter sido esquecido pelos franceses. ”Foi uma experiência penosa para mim ver - depois de todo meu trabalho com dirigíveis e máquinas mais pesadas do que o ar - a ingratidão daqueles que há pouco tempo me cobriam de glória”, escreveu ele em 1929. Foi o próprio Santos Dumont que criou os argumentos contra os irmãos Wright que os brasileiros usam até hoje. Três anos antes de morrer, o grande aviador brasileiro ainda se incomodava com os dois americanos. Em 1919, sem saber que houve testemunhas e notícias dos voos dos Wright, ele escreveu um manuscrito chamado L’Homme Mécanique. Disse: Os partidários dos irmãos Wright dizem que eles voaram na América do Norte de 1903 a 1908. Tais voos teriam ocorrido perto de Dayton, num campo ao longo de uma linha de bonde. Não posso deixar de ficar profundamente espantado com essa reivindicação ridícula. É inexplicável que os irmãos Wright pudessem ter realizado inúmeros voos durante três anos e meio sem terem sido observados por um único jornalista da perspicaz imprensa americana, que tivesse se dado ao trabalho de assistilos e de produzir a melhor reportagem da época. Doente, deprimido e enraivecido, Santos Dumont se suicidou em 1932, num hotel do Guarujá, São Paulo, enforcado por duas gravatas vermelhas dos tempos de pioneiro dos céus de Paris. Um mistério ronda a vida de Santos Dumont. Quem era o vândalo que sabotava seus balões? A questão é levantada pelo jornalista americano Paul Hoffman, biógrafo do brasileiro. Segundo Hoffman, pelo menos três vezes, em Londres, Paris e Nova York, o balão que levantaria voo foi rasgado e perfurado a faca logo antes da apresentação. O caso mais trágico foi nos Estados Unidos, em 1904, onde o brasileiro participaria de um concurso aéreo da feira de Saint Louis. SANTOS DUMONT ERA UM PICARETA? O evento daria 100 mil dólares a quem percorresse, no menor tempo, um trajeto triangular de 16 quilômetros, desde que numa velocidade mínima de 32 quilômetros por hora. Santos Dumont era o favorito, mas acabou melando a festa. Primeiro, duvidou que o prêmio seria pago e pediu aos organizadores que lhe adiantassem 20 mil dólares (não sem solicitar que mantivessem a ajuda de custo em segredo). Pedido negado: se adiantassem algum dinheiro ao brasileiro, os organizadores teriam que ajudar os outros participantes. Depois, Santos Dumont insistiu para que diminuíssem a velocidade mínima da prova. Como era o principal, senão o único competidor, acabou conseguindo - a velocidade ficou em 24 quilômetros por hora. Ainda obteve mais uma concessão: o trajeto, em vez de triangular, virou uma reta. Em ida e volta, demandaria apenas uma curva. Só então Santos Dumont foi à França pegar o balão, voltando a Nova York em 26 de junho de 1904. Um dia depois de chegar, o aviador foi acordado com a notícia de que o seu balão N-7 tinha sofrido quatro cortes a faca. Os rasgos atravessaram as camadas do tecido dobrado, resultando em mais de quarenta furos. Nervoso e contrariado, ele recusou a ajuda de voluntários que garantiam conseguir consertar o tecido. Disse a todos que o conserto levaria tempo demais e não poderia ser feito nos Estados Unidos ”só confio nos operários franceses”. Foi então que a polícia e os organizadores da feira começaram a desconfiar do próprio Santos Dumont como autor da sabotagem. O aviador tinha sido advertido várias vezes para manter fechada a caixa que envolvia o balão e para deixar, no hangar, um dos seus funcionários como segurança adicional. Preferiu não fazer nada disso. Veio também a notícia de que dois de seus balões já tinham sido sabotados a facadas, em Paris e em Londres, apenas um mês antes do episódio na América. Pareceu, aos investigadores americanos, meio improvável que o mesmo vândalo acompanhasse Santos Dumont somente para sabotá-lo, ou que pessoas diferentes cometessem um crime tão parecido. Pior: depois se soube que, ao ter o balão sabotado em Londres, o brasileiro fechou um acordo com expositores ingleses para cobrar ingressos de quem quisesse ver o tecido despedaçado. De acordo com Hoffman, ele tentou o mesmo acordo com os organizadores da exposição americana, que recusaram a oferta. Nunca se saberá a identidade do misterioso homem que sabotava os balões de Santos Dumont em cada país que ele visitava. O fato é que, no ano em que os irmãos Wright Americanos fizeram mais de cem voos (sem balões), Santos Dumont foi embora dos Estados Unidos sem tirar os pés do chão, e deixando lá a fama de ser um tremendo picareta. Não há provas de que o brasileiro tenha ordenado a própria sabotagem. Mas parece estranho, não?
Postado 8/08/2016 às 05:07 08/8, 2016 5 horas atrás, Danilo Z disse: Tudo que você fala é "pesquise mais" e vai dizer que as fontes que eu colocar näo säo confiáveis. Mas enfim, provavelmente você nem sabia que os Wright tinham voado em mais de um aviäo. Até a prórpia Franca, país onde o cara "fez carreira" já reconhece os Wright. No mais, eu vou com o texto do colega acima, retirado do Guia Politicamente Incorrecto da História do Brasil. Ou você acha que eles também deveriam haver pesquisado mais? Confesso que seria legal ver você refutando tudo que foi escrito no texto acima. =)
Postado 8/08/2016 às 11:47 08/8, 2016 6 horas atrás, Torf disse: Acredite no que quiser então. A fúria dos EUA diante disso já os entrega , vc fala 5 línguas, deixa de ser preguiçoso vai, se eu a uns 5 anos atrás já sabia dessa farsa dos irmãos Wright, é de se espantar que uma pessoa que fala 5 línguas não saiba.
Postado 8/08/2016 às 13:33 08/8, 2016 Passo 1: Pegue um assunto controverso. Passo 2: Pergunte ao Danilo Z a opiniäo dele. Parabéns!!! O assunto näo é mais controverso!!! Ok. Parou por aqui, de volta às notícias! Repressão a protestos em sedes olímpicas é mais severa do que na Copa https://rodrigomattos.blogosfera.uol.com.br/2016/08/08/repressao-a-protestos-em-sedes-olimpicas-e-mais-severa-do-que-na-copa/
Postado 8/08/2016 às 13:59 08/8, 2016 24 minutos atrás, Torf disse: Repressão a protestos em sedes olímpicas é mais severa do que na Copa https://rodrigomattos.blogosfera.uol.com.br/2016/08/08/repressao-a-protestos-em-sedes-olimpicas-e-mais-severa-do-que-na-copa/ Engraçado uma turma criticando o temer, chamando até de ditadura não poder protestar e quem protocolou essa lei endurecendo os protestos foi dilma kkkk Boxeador da Namíbia é preso por suspeita de estupro na Vila Olímpica (mais um)
Postado 8/08/2016 às 21:48 08/8, 2016 Já ouviram falar que uma imagem vale mais que mil palavras! Des que o mundo existe, a historia é feita e escrita no seu termo, na sua visão, do jeito que convém, pelo mais forte e poderoso. Foi, será, e muito depois de nossas mortes e gerações! continuará sendo! Agora conte-me mais, sobre o estilingue gigante dos Wright, se o video estiver disponivel da façanha! retiro-me na minha insignificância.
Postado 8/08/2016 às 22:04 08/8, 2016 11 minutos atrás, Orgun disse: Agora conte-me mais, sobre o estilingue gigante dos Wright 23/10/2006 - 10h33 Irmãos Wright foram os primeiros, mas Santos-Dumont fez mais pela aviação PUBLICIDADE CLAUDIO ANGELO do Editor de Ciência da Folha de S.Paulo ... E, claro, tem a história da catapulta. O vôo dos Wright não valeu porque o Flyer foi atirado de uma catapulta. Portanto, Santos-Dumont teve mesmo a primazia. Certo? Errado. "O Flyer não foi catapultado. Isso faz parte dessa história mal contada, mal formulada no Brasil", afirma o pesquisador do CBPF, que acaba de lançar o livro "O Desafio de Voar" (Metalivros), sobre a conquista do ar e os brasileiros que participaram dela. A catapulta seria adotada pelos Wright só depois de 1903. https://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u15410.shtml
Postado 9/08/2016 às 00:22 08/9, 2016 Fracasso aéreo Jornal da Globo 18/12/2003 13:50 https://redeglobo6.globo.com/JGlobo/0,19125,VTJ0-2742-20031217-19042,00.html A tentativa de repetir o histórico vôo dos irmãos Wright, 100 anos depois, foi um fiasco. A réplica do Flyer não saiu do chão, durante a cerimônia nos Estados Unidos. Para os americanos, o vôo dos irmãos Wright é o marco inicial da aviação. A expectativa em Kitty Hawk, na Carolina do Norte, era grande. O presidente George Bush compareceu à cerimônia e exaltou a façanha centenária, mas repetí-la, era outra coisa. O flyer não só não decolou, como acabou em uma poça de lama, para decepção geral. Hoje, o vento não ajudou. No dia 17 de dezembro de 1903, o vôo dos irmãos Orville e Wilbur Wright durou 12 segundos, mas não foi documentado, um dos motivos pelos quais, para os brasileiros, o pai da aviação é Alberto Santos Dumont, que, três anos depois, encantaria a capital francesa ao levantar vôo no 14-bis, para uma platéia de jornalistas e convidados. Em 1901, também em Paris, Santos Dumont já havia sido o primeiro homem a pilotar um balão dirigível. Mesmo assim, para os americanos, tudo começou com os irmãos Wright. Também presente à cerimônia, o ator e entusiasta da aviação, John Travolta, aproveitou para mandar um recado a George Bush. Disse que se os americanos voltarem a lua quer se candidatar à missão. Réplica do Flyer se esborracha na lama Irmãos Wright: parelha de vigaristas e açambarcadores Spoiler Neste dia 17/12/2003 os estadunidenses comemoram o centenário do pretenso primeiro vôo da História, supostamente praticado pelos irmãos Wright em 17/12/1903. Apenas o mais tacanho chauvinismo explica o empenho ianque em endossar a farsa dos Wright, tentando surrupiar o invento de Santos Dumont. O primeiro vôo de um avião: o brasileiro Santos Dumont e seu 14Bis - 23/10/1906 “Irmãos Wright”: parelha de vigaristas e açambarcadores Os canastrões ianques não aportaram absolutamente nada de novo à aviação. “A máquina voadora” que trombetearam, em 1908, terem construído em segredo em 1903, não se sustentava no ar por meios próprios. Não merecia sequer a denominação de planador, aparelhos estes construídos com sucesso muito antes, desde 1799. Seu paquidérmico motor, com mais de 100 quilos, que gerava apenas 11 HP - o do 14 BIS gerava 50 - não tinha força para propeli-lo, e impedia-o de planar. A tentativa pública que fizeram em 1904 fracassou estrepitosamente. Só em 1908, após copiarem as soluções de Santos-Dumont e de outros aeronautas, e providenciarem na França um novo motor, mais potente, a sua geringonça voou, assim mesmo lançada pela patética catapulta. Apenas o mais tacanho chauvinismo explica o empenho ianque em endossar a farofa dos Wright CARLOS LOPES Somente no dia 22 de maio de 1908, Wilbur e Orville Wright tentaram patentear o avião como invenção de sua lavra. Esta é a data do pedido que fizeram ao escritório de patentes do governo americano. No entanto, após o vôo pioneiro de Santos-Dumont, em 1906, diziam que seu primeiro vôo de aeroplano tinha sido realizado em dezembro de 1903. Essa afirmação foi feita em público pela primeira vez por Wilbur Wright no dia 8 de agosto de 1908, quando se apresentou com um avião em Le Mans, na França. Naquela época, além de Santos-Dumont, já haviam voado Farman, Voisin, Blériot e Delagrange, cujos aparelhos, como o do brasileiro, decolaram e mantiveram-se no ar por seus próprios meios. Apesar de ficarem em Paris vários meses no ano anterior, os Wright, em 1907, não reivindicaram a primazia de nada. Segundo Wilbur em 1908, eles voaram em aviões não somente em 1903, mas também em 1904 e 1905. Depois, interromperam os seus vôos para tentar vender o aparelho. No entanto, só tentaram patenteá-lo três meses antes da apresentação na França. Em algumas ocasiões, eles tentaram explicar: seria mais uma medida para manter o segredo da invenção, e evitar que outros a copiassem. Em suma, eles não confiariam nas patentes como forma de garantir-lhes o que queriam: ganhar dinheiro vendendo sua invenção a governos pelo mundo. Era uma argumentação esquisita, até porque, se fosse verdade, a única consequência disso foi que vários outros voaram, construíram aviões, e, inclusive, os venderam, depois de 1906. FATURAR Muito mais seguro, do ponto de vista deles, seria patentear a invenção. Logo eles, que dormiam e acordavam pensando em faturar e tinham até um exemplo dentro de casa: Thomas Edison havia se tornado milionário através das patentes – tanto de seus inventos quanto, sobretudo, açam- barcando inventos de empregados seus. E eles, os Wright, não eram, em absoluto, adversários das patentes. Quem o era, e sempre se recusou a patentear seus inventos, inclusive o avião, era Santos-Dumont, que achava as patentes repugnantes, mero assalto ao que era patrimônio de todos os homens - o conhecimento. Muito pelo contrário, os Wright eram verdadeiros fundamentalistas das patentes: em 1904, por exemplo, eles entraram com um requerimento no departamento de patentes do governo inglês (e a conseguiram - patente nº 6732) solicitando propriedade autoral para um “engineless glider”, ou seja, um planador sem motor (cf. Revista ASAS, II, nº 11 - Fev/Mar de 2003). Como comenta a ASAS, uma coisa estranha, para quem depois afirmara que tinha, um ano antes desse pedido, voado numa aeronave que mantinha-se no ar impulsionada por um motor... Evidentemente, nada impediria que eles patenteassem outros inventos. No entanto, só em 1908 é que requereram a patente de uma aeronave que movia-se por meios mecânicos. Por quê? É verdade que em 1905 – um ano antes do vôo do 14-BIS - eles tentaram vender uma “máquina voadora” ao exército dos EUA. Mas queriam que o exército comprasse a máquina sem vê-la, isto é, só fariam a demonstração de sua efetividade depois que o governo a comprasse. “Nenhum projeto ou especificação acompanhava tal proposta, e as autoridades governamentais dos EUA responderam que, antes de analisarem as sugestões e a proposta, seria interessante a realização de uma demonstração que mostrasse a viabilidade do empreendimento – nas palavras usadas no documento oficial, ‘o aparelho deverá ter chegado ao estágio de operação prática’. E num documento oficial, relativo à mesma proposta, coloca-se o assunto do seguinte modo: ‘recomendamos que os senhores Wright sejam informados que o escritório (do Ministério da Guerra) não irá formular nenhum requerimento acerca da performance de uma máquina voadora ou tomar qualquer outra ação até que uma máquina seja construída que possa ser mostrada em operação real, sendo capaz de fazer um vôo horizontal e de carregar um operador’ ” (ASAS, ed. cit.). Diante disso, os Wright desistiram de vender a máquina ao exército. Somente em 1908, quando apareceram em Paris foi que apresentaram um avião, que ainda não conseguia decolar por meios próprios, tendo que ser impulsionado por uma catapulta, e sem rodas - mas que mantinha-se no ar em virtude de um motor. No intervalo, tentaram vender, sob as mesmas condições, uma “máquina voadora” às forças armadas francesas (em 1906) e também a outros governos da Europa. Eles sempre pretenderam, desde o início, construir uma máquina com fins militares. Neles nada havia daquele espírito a que se refere Santos-Dumont em seu livro “O Que Eu Vi, O Que Nós Veremos”: “Nós, os fundadores da locomoção aérea no fim do século passado, tínhamos sonhado um futuroso caminho de glória pacífica para esta filha dos nossos desvelos. (....) Bastante conheci todos esses sonhadores, centenas dos quais deram a vida pela nossa idéia, para poder agora afirmar que jamais nos passou pela mente, pudessem, no futuro, os nossos sucessores, ser ‘mandados’ a atacar cidades indefesas, cheias de crianças, mulheres e velhos e, o que é mais, atacar hospitais...”. Os Wright eram o oposto disso. Eram, precisamente, os precursores dos bombardeios de civis, hoje forma de covardia predileta da casta bélico-financeira ianque. Nisso, e no açambarcamento da invenção alheia, eram imperialistas e monopolistas com a mesma sanha dos assaltantes ianques do petróleo, e outros semelhantes. Mas ninguém aceitou comprar a máquina dos Wright. Depois, ainda, tentaram vendê-la a um grupo de empresários – que, naturalmente, quiseram vê-la antes de comprar. O negócio, mais uma vez, não foi em frente. Por que queriam vender algo sem mostrar? Para manter o sigilo? À custa inclusive – e em se tratando de dois aventureiros ávidos por dinheiro – de fazer com que o negócio fracassasse? Eles mesmos, num artigo para a “Century Magazine”, disseram ter “convidado em 1904 representantes de todos os jornais de Dayton (Ohio), para assistirem a um vôo. Vieram 12 repórteres, e o avião não voou; regressaram no dia seguinte, a pedido, e novo fracasso presenciaram. Então, (....) nunca mais os jornalistas prestaram atenção no que fazíamos”. FRACASSO Ou seja, no ano seguinte ao que disseram que haviam voado num avião, eles promoveram uma demonstração pública e fracassaram. Os Wright apresentaram esse fracasso como uma manobra de despiste. Em suma, não queriam que os jornalistas publicassem nada sobre eles. No entanto, a maior garantia que poderiam ter sobre a primazia do primeiro vôo de avião seria, exatamente, a divulgação. Além de servir de propaganda para quem queria vender “máquinas voadoras” a governos e empresários. Blériot, ao cruzar pelo ar o canal da Mancha fez exatamente isso – tornou-se o principal fornecedor de aviões ao governo francês. Blériot – vencido por seu amigo Santos-Dumont em 1906, quando não conseguiu levantar do chão, quando o 14-BIS ergueu-se a 4,5 m do solo - no entanto, não tinha pretensões a ser o primeiro quando não era o primeiro. Os Wright tinham. Tanto assim que na demonstração de 1904 não convidaram somente jornalistas. Convidaram também Octave Chanute, que tinha divulgado nos EUA as teorias de Otto Lilienthal, alemão que foi o maior especialista em planadores do fim do século passado. Lilienthal – e, por consequência, Chanute - era o ídolo proclamado pelos Wright. O trabalho deles com planadores, no essencial, nada apersenta de novo, exceto em detalhes secundários, em relação ao de Lilienthal. Em suma, os Wright, além dos jornalistas, convocaram para a demonstração de 1904 aquele que consideravam a maior autoridade nos EUA – e talvez no mundo, pois Lilienthal já havia falecido – em aeronáutica. Para um despiste? Chanute, por sinal, deixou o seu testemunho: não houve nenhum vôo de avião. O que explica porque os Wright sentiram-se na necessidade, anos depois, de escrever o artigo para a “Century Magazine”. Esse fracasso eles não podiam esconder. Tratava-se de dar uma versão a ele que fosse compatível com a história do vôo de 1903. Mas voltemos à questão: por que eles só requereram a patente em 1908, e queriam, até 1908, vender uma máquina sem que os compradores a vissem em ação? Por que, em 1907, numa Paris agitada pelos novos aviões, não reivindicaram o pioneirismo? A resposta lógica, inevitável, é que eles não tinham “máquina voadora” digna desse nome alguma em 1903 – e nem em 1904, nem em 1905, nem em 1906, nem em 1907. Tinham, na melhor das hipóteses, um aparelho instável, que ia para o ar através da catapulta, necessitava do vento para manter-se algum tempo acima do chão, sem que o motor (de 100kg!) servisse para mais do que aumentar a ação da gravidade sobre o aparelho, e tornar a aterrissagem um suplício. Em suma, era pior que um planador sem motor. Realmente, alguém só o compraria, se não visse antes a sua performance. Isso na melhor das hipóteses. Quando os Wright conseguiram ter uma aeronave a motor que funcionava, em 1908, foram rapidamente mostrá-la em Paris. Mas aí, tanto Santos-Dumont quanto outros depois deste já haviam voado e construído aviões. E só conseguiram depois de, em 1907, estudarem os planos de Santos-Dumont, o 14-BIS que estava em exposição pública e o Demoiselle, um avião com desempenho superior ao do 14-BIS, que o brasileiro havia lançado em 1907, batendo recordes de distância e velocidade - 18 km a 96 km/h. Nem os americanos acreditaram no pioneirismo dos Wright. Em 1916, quando Orville Wright ainda estava vivo, Santos-Dumont foi eleito representante do Aeroclube dos EUA na Conferência Pan-americana de Aeroáutica, realizada em Santiago do Chile. Vinte e três anos depois, em 1939, quando a revista da National Aeronautic Association (1939, nº 12) organizou um quadro cronológico de recordes da história da aviação, colocou o vôo de Santos-Dumont como o primeiro. Os Wright aparecem como detentores do oitavo. Até o final da década de 30, pelo menos, os americanos consideravam que Santos-Dumont havia sido o primeiro a voar num aparelho “mais pesado que o ar” (ver o artigo de Gustavo H. Albrecht, “Primeiro Ultraleve Motorizado”). Mesmo hoje, norte-americanos como Nancy Winters (“Man Flies: The Story of Alberto Santos-Dumont, Master of the Balloon, Conqueror of the Air”, Ecco, 1998), e Paul Hoffman (“Wings of Madness: Alberto Santos-Dumont and the Invention of Flight”, Hyperion Press, 2003) não se dobraram a uma campanha propagandística enganosa, chovinista e, no essencial, safada. O canal a cabo Discovery até apresentou, não tem muito tempo, um filme do “primeiro vôo dos Wright”, algo que nunca foi filmado. A primeira fotografia divulgada pelos Wright do seu alegado vôo de 1903 somente apareceu em 1908 – segundo Wilbur Wright, teria sido tirada por um dos salva-vidas que teriam presenciado o vôo. Nunca houve filme algum. O filme do Discovery é um dos que os Wright fizeram de seus vôos com planadores sem motor. Esses, eles realmente filmaram. Mas nunca o fizeram no caso do primeiro vôo que dizem ter feito com um avião. “VÔOS” ESCONDIDOS Sobre a data em que os Wright conseguiram um avião de verdade, isto é, um artefato que não os fizesse passar vergonha em público, o coronel-aviador Fernando Hippólyto da Costa faz uma observação muito pertinente: “a expectativa quanto ao provável vôo de ‘um aparelho mais pesado que o ar’ (o avião) era tão latente que em julho de 1906 havia dois prêmios de aviação a disputar: um oferecido pelo Aeroclube da França (1.500 francos, para um vôo de cem metros de distância) e outro, oferecido pelo Sr. Ernest Archdeacon [um milionário norte-americano], o ‘Mecenas da Aviação’ (3.000 francos para vinte e cinco metros de distância. Isso mesmo: 25 metros!). Se os Irmãos Wright “voavam” desde 1903, por que não se candidataram aos valiosos prêmios?”. Ambos os prêmios eram conhecidos entre os aeronautas de todo o mundo. Os Wright, em 1906, segundo sua versão, voavam há três anos. O dinheiro – 4.500 francos - era muito para a época, além, evidentemente do reconhecimento universal, pois o vôo seria validado por uma comissão científica reconhecida, na presença dos mais renomados dentro da área, e diante de um público imenso na cidade que era então o centro da atividade aeronáutica – Paris. Desde antes do início do século XX - como lembrou em conferência recente na Agência Espacial Brasileira o físico Henrique Lins de Barros - os critérios da Federação Internacional de Aeronáutica para homologar o vôo do “mais pesado que o ar” já eram aceitos por todos os aeronautas e candidatos a aeronautas: “anunciar previamente a tentativa, fazer a decolagem da máquina com meios próprios, pousá-la, além de fazer a demonstração em público e diante de uma comissão previamente escolhida”. Foi assim que Santos-Dumont decolou com o seu 14-BIS, fotografado, filmado pela Pathé, a grande companhia cinematográfica francesa da época, noticiado por todos os jornais, na França e no resto do planeta, e conquistou os dois prêmios. Quanto aos Wright, não apareceram em Bagatelle. E nem em lugar algum onde se pudesse comprovar o seu vôo. Em 1903, segundo os Wright, estavam presentes nas dunas de Kill Devil Hills (alguma coisa como: “colinas do mata-diabo”), além dos Wright, três salva-vidas que vagavam pela praia. O avião não decolou: foi lançado por uma catapulta, em meio a ventos de 45 km/h. Ainda segundo o seu relato, o aparelho ficou 12 segundos no ar e voou 36 metros. Depois, dizem eles que houve mais três vôos: um de 53 m, outro de 60 m, e o quarto, de 260 metros. O aparelho com o qual teriam conseguido isso jamais foi mostrado: esborrachou-se, devido aos ventos, no final do quarto vôo. Quanto às condições de aterrissagem... Posteriormente, eles relataram uma série de outros vôos, tanto em Kill Devil Hills quanto em Dayton, cidade onde moravam. Como observou Santos-Dumont: “Os partidários dos Irmãos Wright pretendem que estes voaram na América do Norte de 1903 a 1908. Tais vôos teriam tido lugar perto de Dayton, num campo ao longo de cujo limite passava um bonde. Não posso deixar de ficar profundamente espantado por este feito inexplicável, único, desconhecido: durante três anos e meio os Wright realizaram inúmeros vôos mecânicos e nenhum jornalista da tão perspicaz imprensa dos Estados Unidos se abalança a ir assisti-los, controlá-los, e aproveitar o assunto para a mais bela reportagem da época. Como imaginar, então, que na época os Irmãos Wright descrevam círculos no ar durante horas sem que ninguém disto se ocupe?” Em 1953, a (nesse caso) insuspeita revista norte-americana National Geographic Magazine “publicou uma reportagem onde o Vice- Almirante Emory S. Land informava que, naquela época, vários grupos decidiram construir réplicas da máquina original dos Wright. Todos eles não obtiveram sucesso. Um deles, embora tivesse envolvidos dez engenheiros aeronáuticos norte-americanos, abandonou o projeto pois, simplesmente não acreditava que o engenho subisse. Afirmaram eles que para que aquela aeronave voasse, somente o faria com “a lot of horseshoes” (‘um monte de cavalos-de-força’)” (Gustavo Albrecht, “Primeiro Ultraleve Motorizado”) No entanto, os Wright disseram que, para um aparelho com 340 kg, usaram em 1903 um motor que tinha a potência de apenas 11 HP. Santos-Dumont, com um aparelho mais leve (290 kg) teve que trocar o motor que anteriormente planejara usar, um “Antoinette” de 24 HP, por um de 50 HP. Com o motor de 24 HP, o 14-BIS apenas “conseguiu dar alguns saltos” na primeira tentativa, em 21 de agosto de 1906. Para voar, em 23 de outubro do mesmo ano, teve que instalar o motor de 50 HP. Já os Wright, teriam conseguido fazer o mesmo com um motor quase cinco vezes menos potente, e um aparelho com 50 kg a mais do que o de Dumont. Interessante a esse respeito é que na apresentação feita em Paris em 1908, os Wright não usaram nenhum dos motores que tinham mandado fabricar. Usaram um motor francês “Barriquand et Marre”, que tinham comprado um ano antes, quando estiveram durante vários meses em Paris (hospedados no Hotel Meurice, quarto 516). Foi também nessa época, um ano antes da apresentação pública, que estudaram o 14 bis, que estava em exposição pública. O avião de Santos-Dumont, depois de voar 60 metros em 23 de outubro, tinha sido equipado com mais uma inovação que até hoje, na era dos jatos, é indispensável: os ailerons, colocados sob as asas para manter o equilíbrio horizontal do avião. Foi equipado com eles que o 14-BIS conseguiu, em 12 de novembro, voar 220 m, a um altura de 6 m do solo, com uma velocidade de 41 km/h. Foi a primeira vez que um recorde de vôo com o “mais pesado que o ar” foi quebrado: o dele mesmo. CÓPIA O avião de 1908 dos Wright, copiava várias das soluções, sobretudo no que diz respeito à estabilização, que Santos-Dumont havia introduzido no 14-BIS e no Demoiselle. Foi proveitosa a visita deles a Paris em 1907. Então, o que houve realmente em 1903? Primeiro, nada garante que houve alguma coisa. Há mesmo um habitante do local, um telegrafista de nome Alphens Drinkwater que, entrevistado pelo “The New York Times” (edição de 02/12/1951), garantiu que durante todo o tempo em que os Wright testaram seus aparelhos em Kill Devil Hills, eles nunca usaram um motor em seus vôos. Porém, não é possível garantir isso apenas pelo testemunho do telegrafista, da mesma forma que salva-vidas não são testemunhas indicadas para garantir que houve um vôo impulsionado pelo motor, e não um empurrão da catapulta com o vento sustentando o resto do percurso, antes de se arrebentar no chão. Ou seja, o que parece ter acontecido é que eles catapultaram um aparelho com motor, no meio da ventania, sem que o motor conseguisse mantê-lo no ar além do impulso e do efeito do vento. Uma das fotos do aparelho, mostra quer os Wright lançaram o avião de cima de uma duna (Wilbur Wright garantiu que, depois, armaram os trilhos da catapulta em chão plano). Sem estabilidade, com um motor de vagabunda potência, e dependendo do vento, eles realmente não tinham nada para patentear em 1903, assim como só poderiam vender seu aparelho ao governo ou a particulares se os compradores não o vissem, comprando no escuro. Nada há nisso - nem no aparelho, que o motor ornou pior, e não melhor, que os planadores anteriores, nem na vigarice - que seja original. Nenhuma inovação, exceto acrescentar 100 kg a mais. Também, igualmente, nada há de original em, depois disso, tentar açambarcar o invento dos outros. CARLOS LOPES Hora do Povo - 16 de Dezembro de 2003 ========== MAIS: Santos=Dumont X Irmãos Wright - UMA FALSA POLÊMICA Revista ASAS - Ano II - Número 11 - Fev/Mar-2003 https://www.cabangu.com.br/pai_da_aviacao/9-luso/3-falsa.htm A Falsa Primazia dos Irmãos Wright https://www.cabangu.com.br/pai_da_aviacao/9-luso/falsa.htm 17/12/2003 - EUA tentam repetir feito dos irmãos Wrights / Folha de S.Paulo https://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u10759.shtml Santos Dumont and the Wright Brothers https://www.thefirsttofly.hpg.ig.com.br/pioneer2.htm Santos Dumont, English Page https://www.thefirsttofly.hpg.ig.com.br/englishpage.htm Santos Dumont - THE FIRST TO FLY - KNOW WHY Site developed by RODRIGO MOURA https://www.thefirsttofly.hpg.com.br ALBERTO SANTOS DUMONT 20 de Julho de 1873 - 130 anos de nascimento do Pai da Aviação https://www.cabangu.com.br/pai_da_aviacao/0-roteiro/pg00.htm https://www.cabangu.com.br/pai_da_aviacao/ Editado 9/08/2016 às 00:24 08/9, 2016 por Norton
Postado 9/08/2016 às 00:54 08/9, 2016 Não consigo renomear o link aqui onde estou... Roubo de celulares durante caça de Pokémon termina com mulher morta https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2016/08/roubo-de-celulares-durante-caca-de-pokemon-deixa-mulher-morta-no-am.html
Postado 9/08/2016 às 05:50 08/9, 2016 5 horas atrás, Norton disse: A tentativa de repetir o histórico vôo dos irmãos Wright, 100 anos depois, foi um fiasco. A réplica do Flyer não saiu do chão, durante a cerimônia nos Estados Unidos. Festas e gafes nos 500 anos do Brasil O símbolo maior da comemoração — uma réplica das caravelas cabralinas — literalmente naufragou. A embarcação, que custara R$ 500 mil (mil reais para cada ano de História), não conseguiu zarpar de Salvador rumo a Porto Seguro. E ainda hoje, continua adernada, próxima ao porto de Vila Velha, no Espírito Santo. https://acervo.oglobo.globo.com/fatos-historicos/festas-gafes-nos-500-anos-do-brasil-9283747 Agora eu pergunto, as grandes navegacäoes portuguesas säo uma farsa?!?!
Postado 9/08/2016 às 13:55 08/9, 2016 É pra rir ou pra chorar? Mulher tem celular roubado dentro de delegacia no Recife https://tvjornal.ne10.uol.com.br/noticia/ultimas/2016/08/09/mulher-tem-celular-roubado-dentro-de-delegacia-no-recife-25489.php
Postado 9/08/2016 às 14:03 08/9, 2016 Pra quem ainda acha que ser voluntário de órgäos como COI e FIFA näo é ser otário, leia aqui: Política e até 15 horas de trabalho fazem voluntários abandonarem Rio-2016 https://olimpiadas.uol.com.br/noticias/redacao/2016/08/09/motivacao-politica-e-ate-15-hora-de-trabalho-fazem-voluntarios-desistirem.htm
Postado 9/08/2016 às 14:38 08/9, 2016 esse bolsonaro é muito fanfarrão... canta de galo mas é pinto, devia ter ficado mais uns anos no exército antes de vim pra política. 'Se foi fora da Câmara, não tenho nada a falar', diz Bolsonaro sobre denúncia contra Feliciano O deputado federal afirmou que nada tem a ver com a vida particular de Marco Feliciano e preferiu não comentar o caso envolvendo seu correligionário. https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,se-foi-fora-da-camara-nao-tenho-nada-a-falar-diz-bolsonaro-sobre-denuncia-contra-feliciano,10000067897 Editado 9/08/2016 às 14:40 08/9, 2016 por cormaya
Postado 9/08/2016 às 14:59 08/9, 2016 Esse bolsomito não cansa de ser ridículo. Caso confirmem que houve estupro, ele vai dizer que a culpa foi da mina, ou então que é perseguição política contra a pobre direita cristã kkkkkkkk
Postado 9/08/2016 às 15:15 08/9, 2016 3 minutos atrás, Corleone disse: Esse bolsomito não cansa de ser ridículo. Caso confirmem que houve estupro, ele vai dizer que a culpa foi da mina, ou então que é perseguição política contra a pobre direita cristã kkkkkkkk esse negócio de n ter bandido de estimação é só da boca pra fora, quando é da quadrilha viram tudo isentão.
Postado 9/08/2016 às 15:54 08/9, 2016 Anonymous ataca novamente e tira do ar site do governo do Rio de Janeiro https://olhardigital.uol.com.br/olhar-olimpico/noticia/anonymous-ataca-novamente-e-tira-do-ar-site-do-governo-do-rio-de-janeiro/61005 Pesquisadores descobrem vírus responsável por esquema de espionagem global https://olhardigital.uol.com.br/fique_seguro/noticia/pesquisadores-descobrem-virus-responsavel-por-esquema-de-espionagem-global/61030 Vida pode ter existido antes em Vênus do que na Terra https://olhardigital.uol.com.br/noticia/vida-pode-ter-existido-antes-em-venus-do-que-na-terra/60994 Os humanos já gastaram em 2016 os recursos que a Terra pode regenerar em um ano https://climatologiageografica.com.br/os-humanos-ja-gastaram-em-2016-os-recursos-que-a-terra-pode-regenerar-em-um-ano/ A leitura prolonga a vida, diz novo estudo https://climatologiageografica.com.br/leitura-prolonga-vida-diz-novo-estudo/ Luz artificial demais está nos deixando doentes? https://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=luz-artificial-deixa-doentes&id=11543 Honestidade? Não confie nas aparências https://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=honestidade-nao-confie-aparencias&id=11544 Sistema imunológico controla nossas interações sociais https://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=sistema-imunologico-controla-nossas-interacoes-sociais&id=11548 Editado 9/08/2016 às 16:05 08/9, 2016 por Faabs
Postado 9/08/2016 às 16:52 08/9, 2016 55 minutos atrás, Faabs disse: Pesquisadores descobrem vírus responsável por esquema de espionagem global https://olhardigital.uol.com.br/fique_seguro/noticia/pesquisadores-descobrem-virus-responsavel-por-esquema-de-espionagem-global/61030 Windows em redes governamentais, aeuaaueaeaeeaeae
Postado 9/08/2016 às 16:56 08/9, 2016 ^ "Eu mesmo tenho 3 desses no meu pc: Se chamam CEF, ITAU e BB." kkkkkk
Postado 9/08/2016 às 17:23 08/9, 2016 Para Maduro, milagre econômico da Venezuela virá de marxista espanhol Lula enganou o mundo, diz jornal americano Wall Street Journal "Se a fraude política para levar uma nação para a ruína fosse crime, Lula e Dilma já teriam sido condenados", diz o jornal WSJ Sem +. Polícia Federal pede perícia financeira e patrimonial de filhos de Lula
Postado 9/08/2016 às 17:50 08/9, 2016 53 minutos atrás, Born4Run disse: Para Maduro, milagre econômico da Venezuela virá de marxista espanhol Já no Brasil acha-se que o milagre virá de Michel Temer... Editado 9/08/2016 às 18:17 08/9, 2016 por Torf
Postado 9/08/2016 às 18:01 08/9, 2016 32 minutos atrás, Born4Run disse: Lula enganou o mundo, diz jornal americano Wall Street Journal "Se a fraude política para levar uma nação para a ruína fosse crime, Lula e Dilma já teriam sido condenados", diz o jornal WSJ Essa citação em jornal gringo a esquerda deixou passar né? mas qdo é colunista da patota aí compartilham que é uma blz.. Motorista 'estaciona' em cima de Ferrari de R$ 2,9 milhões
Postado 9/08/2016 às 18:07 08/9, 2016 4 minutos atrás, BUSY disse: Essa citação em jornal gringo a esquerda deixou passar né? mas qdo é colunista da patota aí compartilham que é uma blz.. Esse é o problema tanto de quem é "extremamente" da esquerda quanto da direita. Eles só leem o que lhes convêm e só acreditam naquilo que segue o que pensam. Näo se preocupe que a direita também deixa passar muita coisa. =)
Postado 9/08/2016 às 18:16 08/9, 2016 25 minutos atrás, Torf disse: Já aqui a gente acha que o milagre virá de Michel Temer... Alemanha?
Postado 10/08/2016 às 00:50 08/10, 2016 Ônibus com jornalistas é atingido a caminho do Parque Olímpico https://olimpiadas.uol.com.br/noticias/redacao/2016/08/09/onibus-que-conduzia-jornalistas-e-alvo-de-ataque-na-rio-2016.htm
Postado 10/08/2016 às 03:22 08/10, 2016 PP e PMDB também serão investigados no TSE por participação na Lava Jato
Postado 10/08/2016 às 15:01 08/10, 2016 Belga medalhista do judô é agredido no rosto durante roubo em Copacabana https://olimpiadas.uol.com.br/noticias/redacao/2016/08/10/belga-medalhista-do-judo-e-agredido-no-rosto-durante-roubo-em-copacabana.htm
Postado 10/08/2016 às 15:05 08/10, 2016 Supermoderador Deputado do movimento ‘Escola Sem Partido’ distribui folhetos de seu mandato em colégio
Crie uma conta ou entre para comentar