Postado 18/06/2018 às 23:30 06/18, 2018 Supermoderador Antes de tudo, isso não vai ser um guia para identificar todo tipo de problema em pesquisas pois tem muita coisa que pode ser feita e eu também não sou pesquisador para saber tudo. Os problemas mais comuns podem vir desde: · Design: Quantas pessoas(amostra)? Quais critérios medidos? Qual o controle de comparação? É randomizado? É duplo-cego? Qual os parâmetros de cálculos estatísticos? etc) · Foi feito revisão-por-pares (peer-reviewed) por outros cientistas/jornais? · Outros pesquisadores encontraram o mesmo resultado? · O jornal que aceitou ele é reconhecido? · Houve dinheiro de industrias na área? · O pesquisador pagou para ter a pesquisa publicada? E muito mais... Para interessados, eu já havia feito o post: Ou também sobre conflito de interesse (autores e pesquisadores que promovem produtos e livros E também financiam pesquisas para provar que estão certos). Pode ler mais aqui: Ou aqui diretamente (em inglês): https://sci-fit.net/investigation-keto-scientists-companies/ Vamos discutir como são feitas algumas manipulações de resultados em pesquisas científicas para sempre dar resultados positivos. Isso é extremamente comum em pseudociências (medicina alternativa como homeopatia, acupuntura, reflexologia, etc) e até na indústria médica e de suplementos. Comparação: A contra A + B Clássico método utilizado por medicina alternativa. Pense o seguinte: "A quantidade de dinheiro A+B sempre é maior que apenas A, a não ser que B seja negativa." Pode não fazer sentido agora, mas pense que ao comparar: “Tratamento convencional” contra “Tratamento Convencional + Medicina Alternativa”, o segundo sempre vai dar resultados levemente melhores pois não estamos descartando efeito placebo. A única possibilidade de dar um resultado pior é se o tratamento fizer mal no paciente. “Tratamento Convencional + Medicina Alternativa” sempre vai dar um resultado melhor, mesmo se a medicina alternativa for comprovada for placebo, afinal placebo é maior que nada. Fonte: https://edzardernst.com/2012/11/no-negatives-please-we-are-alternative/ Categoria “Inconclusivo” Outro clássico método utilizado por medicina alternativa. Geralmente as categorias de resultados para testes controlados são: Positivo e Negativo. Ou o tratamento testado funciona ou não funciona. Mas recentemente um artigo de homeopatia publicou que os resultados da homeopatia são praticamente os mesmos da medicina tradicional: … No final de 2014, 189 testes controlado randomizado (RCT) de homeopatia em 100 condições médicas diferentes medical foram publicados em jornais peer-reviewed. Destes, 104 papéis foram controlados com placebo e foram eleitos para uma resenha detalhada: 41% foram positivos (43 testes) – achados que homeopatia foi efetiva 5% foram negativos (5 testes) – achados que homeopatia não foi efetiva 54% foram inconclusivas (56 testes) E comparado com a medicina tradicional? Uma revisão sistemática de 1016 RCTs de medicina tradicional teve resultados semelhantes! Quais os problemas disso? Um teste clínico é uma ferramenta para testar hipóteses, algo como “o tratamento experimental gera os mesmos resultados que o tratamento no grupo de controle”. Se o teste não mostra diferença entre os resultados, a hipótese nula é confirmada, assim concluindo que o resultado foi negativo. Se o tratamento experimental foi melhor que o tratamento de controle, o resultado é positivo. Em outras palavras, testes clínicos podem apenas gerar resultados positivos e negativos, pois a hipótese pode ser apenas confirmada ou rejeitada. Mas para entusiastas da medicina alternativa isso cria um dilema, visto a quantidade absurda de resultados negativos e mostrando que o tratamento em questão não é efetivo. Por que não criar mais uma categoria para resultados negativos? Assim que nasce “inconclusivo”. Assim estudos positivos vão ser chamados de POSITIVO. Estudos aonde o tratamento experimental gera resultados piores que o do grupo de controle (geralmente placebo) serão chamados de NEGATIVOS. Estudos aonde o tratamento experimental teve resultados semelhantes ao placebo serão chamados de INCONCLUSIVOS. Então anteriormente em vez de falar que 57% foram resultados negativos, falamos que 5% foram negativos e 54% foram inconclusivos Segundo problema: Não é possível comparar um RCT (Teste Controlado Randomizado) com Revisão Sistemática de RCT. Revisão sistemática (systematic review) pode realmente gerar (e geralmente gera) resultados inconclusivos. Enquanto é possível ter RCT com resultado apenas positivo e negativo, quando se olha para revisão sistemática isso pode realmente gerar “inconclusivo” só pelo fato de de adicionar muitas pesquisas positivas e negativas na mesma revisão, isso por conta dos critérios estatísticos adotados. Fonte: https://www.editage.com/insights/a-young-researchers-guide-to-a-systematic-review https://edzardernst.com/2018/06/the-homeopathy-research-institute-bringing-unreliable-information-to-a-wide-international-audience/ Valor-p (p-value) Direto do wikipedia: Citar Na estatística clássica, o valor-p (também chamado de nível descritivo ou probabilidade de significância)[1], é a probabilidade de se obter uma estatística de teste igual ou mais extrema que aquela observada em uma amostra, sob a hipótese nula. (...) Enganos comuns sobre o valor-p · O valor-p não é a probabilidade da hipótese nula de um teste ser verdadeira. · O valor-p não é a probabilidade de um dado resultado ter sido obtido de um "acaso". · O valor-p não é a probabilidade da hipótese nula ter sido enganosamente rejeitada. · A magnitude do valor-p não indica o tamanho ou a importância de um efeito observado. Por exemplo, em uma pesquisa clínica onde são comparados dois tratamentos, um valor-p bastante pequeno não é um indicador de que existe uma grande diferença entre os efeitos dos tratamentos comparados. · Valor-p e nível de significância não são sinônimos.[6] O valor-p é sempre obtido de uma amostra, enquanto o nível de significância é geralmente fixado antes da coleta dos dados. Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Valor-p Pra ficar mais simples, pense o seguinte: Qual a chance que você teria os resultados que teve (ou resultados maiores) se sua hipótese não é verdadeira? Geralmente em medicina isso é relacionado ao efeito do tratamento, como por exemplo, a diferença de redução de dor entre placebo e um tratamento experimental. Esta diferença é estatisticamente significante? Um p-value de 0.05, tradicionalmente é utilizado como limite, significa que há uma chance de 5% que você obteria tal resultado sem ter um efeito real ocorrendo. Mas o p-value nunca foi desenvolvido para testar se um efeito é real ou não. Um estudo com p-value de 0.05 não significa que há 95% de chances que o efeito é real. Ainda pode ser apenas uma minúscula probabilidade que o efeito é real, dependendo de outros fatores. Manipular os resultados para mostrar valores menores que 0.05 é chamado “p-hacking”, isso é possível apenas forçando decisões comuns que os pesquisadores fazem, decisões que geralmente não são reportadas. Citando outro paragrafo: Citar · P-values podem indicar o quão incompatível os dados são em um modelo estatístico. · P-values não medem a probabilidade que a hipótese estudada é verdadeira, ou a probabilidade que os dados foram produzidos apenas por uma chance aleatória. · Conclusões científicas, de negócios ou políticas não devem ser baseadas em apenas se um valor passa o valor limite de p-value. · Interferências necessitam de um report complete e transparência. · Um p-value, ou significância estatística, não mede a magnitude de um efeito ou a importância do resultado. · P-Value sozinho não gera uma boa medida de evidência sobre o modelo ou hipótese. Fonte: https://sciencebasedmedicine.org/p-value-under-fire/ Mais sobre o assunto (em inglês): https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1182327/
Postado 13/12/2023 às 16:54 12/13, 2023 Em 18/06/2018 em 20:30, krebz disse: Antes de tudo, isso não vai ser um guia para identificar todo tipo de problema em pesquisas pois tem muita coisa que pode ser feita e eu também não sou pesquisador para saber tudo. Os problemas mais comuns podem vir desde: · Design: Quantas pessoas(amostra)? Quais critérios medidos? Qual o controle de comparação? É randomizado? É duplo-cego? Qual os parâmetros de cálculos estatísticos? etc) · Foi feito revisão-por-pares (peer-reviewed) por outros cientistas/jornais? · Outros pesquisadores encontraram o mesmo resultado? · O jornal que aceitou ele é reconhecido? · Houve dinheiro de industrias na área? · O pesquisador pagou para ter a pesquisa publicada? E muito mais... Para interessados, eu já havia feito o post: Ou também sobre conflito de interesse (autores e pesquisadores que promovem produtos e livros E também financiam pesquisas para provar que estão certos). Pode ler mais aqui: Ou aqui diretamente (em inglês): https://sci-fit.net/investigation-keto-scientists-companies/ Vamos discutir como são feitas algumas manipulações de resultados em pesquisas científicas para sempre dar resultados positivos. Isso é extremamente comum em pseudociências (medicina alternativa como homeopatia, acupuntura, reflexologia, etc) e até na indústria médica e de suplementos. Comparação: A contra A + B Clássico método utilizado por medicina alternativa. Pense o seguinte: "A quantidade de dinheiro A+B sempre é maior que apenas A, a não ser que B seja negativa." Pode não fazer sentido agora, mas pense que ao comparar: “Tratamento convencional” contra “Tratamento Convencional + Medicina Alternativa”, o segundo sempre vai dar resultados levemente melhores pois não estamos descartando efeito placebo. A única possibilidade de dar um resultado pior é se o tratamento fizer mal no paciente. “Tratamento Convencional + Medicina Alternativa” sempre vai dar um resultado melhor, mesmo se a medicina alternativa for comprovada for placebo, afinal placebo é maior que nada. Fonte: https://edzardernst.com/2012/11/no-negatives-please-we-are-alternative/ Categoria “Inconclusivo” Outro clássico método utilizado por medicina alternativa. Geralmente as categorias de resultados para testes controlados são: Positivo e Negativo. Ou o tratamento testado funciona ou não funciona. Mas recentemente um artigo de homeopatia publicou que os resultados da homeopatia são praticamente os mesmos da medicina tradicional: … No final de 2014, 189 testes controlado randomizado (RCT) de homeopatia em 100 condições médicas diferentes medical foram publicados em jornais peer-reviewed. Destes, 104 papéis foram controlados com placebo e foram eleitos para uma resenha detalhada: 41% foram positivos (43 testes) – achados que homeopatia foi efetiva 5% foram negativos (5 testes) – achados que homeopatia não foi efetiva 54% foram inconclusivas (56 testes) E comparado com a medicina tradicional? Uma revisão sistemática de 1016 RCTs de medicina tradicional teve resultados semelhantes! Quais os problemas disso? Um teste clínico é uma ferramenta para testar hipóteses, algo como “o tratamento experimental gera os mesmos resultados que o tratamento no grupo de controle”. Se o teste não mostra diferença entre os resultados, a hipótese nula é confirmada, assim concluindo que o resultado foi negativo. Se o tratamento experimental foi melhor que o tratamento de controle, o resultado é positivo. Em outras palavras, testes clínicos podem apenas gerar resultados positivos e negativos, pois a hipótese pode ser apenas confirmada ou rejeitada. Mas para entusiastas da medicina alternativa isso cria um dilema, visto a quantidade absurda de resultados negativos e mostrando que o tratamento em questão não é efetivo. Por que não criar mais uma categoria para resultados negativos? Assim que nasce “inconclusivo”. Assim estudos positivos vão ser chamados de POSITIVO. Estudos aonde o tratamento experimental gera resultados piores que o do grupo de controle (geralmente placebo) serão chamados de NEGATIVOS. Estudos aonde o tratamento experimental teve resultados semelhantes ao placebo serão chamados de INCONCLUSIVOS. Então anteriormente em vez de falar que 57% foram resultados negativos, falamos que 5% foram negativos e 54% foram inconclusivos Segundo problema: Não é possível comparar um RCT (Teste Controlado Randomizado) com Revisão Sistemática de RCT. Revisão sistemática (systematic review) pode realmente gerar (e geralmente gera) resultados inconclusivos. Enquanto é possível ter RCT com resultado apenas positivo e negativo, quando se olha para revisão sistemática isso pode realmente gerar “inconclusivo” só pelo fato de de adicionar muitas pesquisas positivas e negativas na mesma revisão, isso por conta dos critérios estatísticos adotados. Fonte: https://www.editage.com/insights/a-young-researchers-guide-to-a-systematic-review https://edzardernst.com/2018/06/the-homeopathy-research-institute-bringing-unreliable-information-to-a-wide-international-audience/ Valor-p (p-value) Direto do wikipedia: Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Valor-p Pra ficar mais simples, pense o seguinte: Qual a chance que você teria os resultados que teve (ou resultados maiores) se sua hipótese não é verdadeira? Geralmente em medicina isso é relacionado ao efeito do tratamento, como por exemplo, a diferença de redução de dor entre placebo e um tratamento experimental. Esta diferença é estatisticamente significante? Um p-value de 0.05, tradicionalmente é utilizado como limite, significa que há uma chance de 5% que você obteria tal resultado sem ter um efeito real ocorrendo. Mas o p-value nunca foi desenvolvido para testar se um efeito é real ou não. Um estudo com p-value de 0.05 não significa que há 95% de chances que o efeito é real. Ainda pode ser apenas uma minúscula probabilidade que o efeito é real, dependendo de outros fatores. Manipular os resultados para mostrar valores menores que 0.05 é chamado “p-hacking”, isso é possível apenas forçando decisões comuns que os pesquisadores fazem, decisões que geralmente não são reportadas. Citando outro paragrafo: Fonte: https://sciencebasedmedicine.org/p-value-under-fire/ Mais sobre o assunto (em inglês): https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1182327/ Opa jovem, massa o seu topico, depois de ler e refleti, gostaria só de complementar com uma visão técnica de mercado: Essa situação ocorre por que a agencia reguladora que supervisiona esse modelo de estudo, seguem péssimos ou quase nenhum padrão de estudo científico para aprovação de laudo regulamentador. Já que existe a terceira categoria - Inconclusivos - Teoricamente, a contra prova deveria apresentar os mesmos resultados, gerando ainda mais base que os efeitos são desconhecidos ou inexistentes, comparado ao placebo. Se a indústria fica a mercê de uma não obrigatoriedade de gerar uma contra prova, a resposta final é aquela que ela quer informar. ( O time de marketing agradece ) Entre outras palavras, assim como descrito no seu texto, +1 grupo deve se chegar aos mesmo resultado pelos mesmos meios apresentados pela fabricante, ou estudo científico. A contra prova seria mais um laudo, que agregaria ao estudo. Exemplo: Um estudo especifico do porque tomar creatina com carbo é tão ineficiente, comparado em aumentar a sua ingestão calórica de proteína de X para Y Suplementação não possui obrigatoriedade de criar contra prova, apenas deve apresentar um laudo, e o órgão regulador deve realizar testes afins de certificar que as informações descritas no laudo encontra-se no produto. Isso não basta como contra prova, mas sim, apenas uma certificação de que naquele produto contem os itens X ou Y. Diferente da indústria farmacêutica que precisa apresentar um laudo de quais são os efeitos positivos, e os efeitos negativos daquele medicamento em grupos distintos - Exemplo: Animais X Humanos. Por isso que existe tantos testo booster, termogenicos e pilulas do milagre por ai. E uma dura para fins estéticos é proibida. Infelizmente cada um faz o que quer, enquanto não houver uma padrão bem definido do que é considerado do ramo da saúde x alimentos Se falei muita bobeira, peço desculpas! Editado 13/12/2023 às 16:55 12/13, 2023 por Rafael Urso Esqueci de finalizar a postagem
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