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Fenômeno Conta Como Finalizou 9 Em Um Dia

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Campeão no peso médio e na categoria aberta, Renato Cardoso escreveu seu nome na última edição do Campeonato Pan-Americano de Jiu-Jitsu, que aconteceu no fim de semana passado, na Califórnia, Estados Unidos. O faixa-marrom finalizou todas suas lutas no peso e também no absoluto, um total de nove combates no mesmo dia, seis deles concluidos através de chaves de pé e três por triângulos.

A exaustão do atleta foi tanta, que no absoluto chegou um momento que seu antebraço travou de câimbra e o lutador não conseguiu mais abrir a mão, toda contraída. A TATAME bateu um papo exclusivo com o atleta e trouxe a história desse fenômeno do Jiiu-Jitsu em primeira mão. Confira abaixo a entrevista com o lutador, que é de Pernambuco, mas mora em Santos há dois anos e tem uma carreira promissora pela frente.

Como você conheceu o Cavaca? Como foi parar na Checkmat?

Eu era da Nova União, treinava com o Victor Hugo, com a equipe do pessoal lá dele e o Bruno Novaes, então treinava com eles. Participei de uma competição quando fui campeão brasileiro absoluto, em 2009, na faixa roxa. Fiz a semifinal com o Cara de Sapato, finalizei ele e fiz a final com quem hoje em dia é meu irmão, o Buchecha. Lutei com o Buchecha na final do Brasileiro de 2009. Em seguida ele foi campeão mundial. Eu não consegui ir porque o meu visto não foi aceito. Em seguida, quando eu ganhei o Rio Open e o Mundial da CBJJE, em 2009, o Cavaca me fez uma proposta para eu vir morar com ele em Santos. Eu aceitei e, de lá pra cá, foi só glória. Graças a Deus venho conseguindo ter uns bons resultados.

Como foi a sua trajetória no Pan Americano?

O campeonato estava de alto nível. Achei um dos melhores Pan-Americanos. Estava até conversando com o meu professor, com o Rodrigo Cavaca, da Checkmat. Foi um dos melhores Pan-Americanos que a gente viu até hoje, bastantes pessoas inscritas e o nível estava excelente. No peso fiz cinco lutas, tinha bastante atletas duros, graças a Deus e no absoluto fiz quatro lutas.

Você se lembra da final? Como foi?

Lembro. Eu acho que fiz a final com um aluno do André Galvão. Se não foi a final, foi a semi. Bastante duro ele. Graças a Deus consegui finalizar numa chave de pé, logo aos dois minutos, mais ou menos, de luta. Consegui fazer a posição mais forte da gente, que é a chave de pé. Consegui sair com a vitória.

Posição na qual seu mestre é especialista...

É essa mesma chave que eu uso dele. Ele me ensinou todos os ajustes dessa chave e, graças a Deus, ela está me livrando em todas as competições. O meu jogo mais forte é a guarda aranha, pegando no bíceps e triângulo, mas agora essa chave de pé está me salvando.

E no absoluto? Como foi?

Tava legal. Como lutei o peso, estava um pouco cansado porque tive que bater peso pra lutar o médio. Geralmente eu luto de meio-pesado. O Cavaca optou para que eu lutasse de médio. Eu bati o peso e lutei o absoluto. Comecei bem. Estava travando um pouco o antebraço nas pegadas, mas consegui passar bem, finalizei na primeira. A segunda luta eu também finalizei bem. Fui pra terceira luta, a semifinal, com o Jurandi, do Godói, um moleque muito duro também, que eu vejo em todos os campeonatos e ganhou o pesado. A final fiz com um gringo da Alliance muito duro também. Ele só faz chave de pé, então o Cavaca falou pra mim: ‘quando sair com ele na chave de pé, eu acho que você vai se dar bem.

Foi na chave de pé também?

Foi sim. Ele colocou na 50-50 e atacou o meu pé, eu ataquei o de fora na americana de pé e, graças a Deus, consegui.

Conta aquela história: você não conseguiu puxar o cara no triângulo porque estava com a mão fechada. O que houve?

Nossa, eu tive até sorte, viu? Na primeira luta do absoluto, acho que o pessoal que viu o vídeo poe reparar. Chamei o cara na fechada, aí já consegui bater o triângulo logo no começo, nos primeiros 30 segundos. Quando eu pensei que ele fosse puxar a cabeça, minha mão fechou e não abria mais, o antebraço travou, as pegadas travaram. Eu acho que tive que perder muito peso, então acho que senti um pouco, não consegui puxar a cabeça dele no triângulo pois minha mão não abria.

O total foi de nove lutas e nove finalizações?

Foi. Nove lutas, nove finalizações, graças a Deus e todas em menos de três minutos.

Qual foi a finalização que prevaleceu?

Eu fiz três triângulos e seis chaves de pé, então é a posição que eu estou fazendo mais forte agora.

Você era um especialista em triângulo...

É. É uma novidade, mas graças a Deus consegui ajustar essa chave, então é a chave que eu mais estou fazendo. A final do absoluto pra mim foi a melhor luta, porque a nossa equipe estava em quarto lugar, perdendo pra Gracie Barra e perdendo pra Atos. A Alliance já estava em primeiro. O Cavaca olhou pra mim e falou: ‘Renato, se você ganhar essa final do absoluto com esse moleque da Alliance, nós de quarto vamos para segundo e você ainda vai ser campeão absouto’. Graças a Deus, consegui entrar na chave de pé e finalizar em 20 segundos.

Quais são os seus próximos objetivos?

Agora, como eu deixei pra última hora a seletiva de Abu Dhabi, não consegui garantir minha vaga. Agora vou focar, voltar pra Santos e vamos fazer um camp para o Brasileiro. O Cavaca está fazendo um treino forte. Chegou ontem, e a gente vai chegar agora. Vamos fazer um camp forte para o Brasileiro e, em seguida, terminou o Brasileiro e nós vamos vir direto para os Estados Unidos fazer um camp da Checkmat na academia do Lucas Leite.

O que a gente pode esperar de você nesse Brasileiro?

Vou dar o máximo, vou fazer uma dieta legal. Como eu deixei em cima da hora pra perder o peso, eu sofri um pouco. Passei mal, mas agora acho que vou fazer tudo certo. Vou ver se vou ficar no médio mesmo. Acho que até o Brasileiro e o Mundial o Cavaca quer que eu lute de médio, e vou tentar conseguir os títulos no peso e absoluto pra, no ano que vem, poder pensar em subir de categoria.

E também de graduação...

É. Fica a critério dele. Eu espero porque ele sabe a hora certa da gente na academia. Sem pressa pra faixa, nem nada. O objetivo é só treinar, ganhar e ganhar. Vou deixar na mão dele, mas, se Deus quiser, se eu fechar essas duas competições, quero chegar forte para o segundo semestre e ano que vem brigar com o pessoal de meio-pesado e absoluto.

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