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[Artigo] Como Ed Coan treinava: simples, bruto e eficaz

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Postado

Ed Coan é tratado por muita gente como o GOAT do powerlifting. E não é por pouca coisa. O sujeito acumulou recordes em várias categorias de peso e virou referência não só por ser absurdamente forte, mas também pela forma como estruturava o próprio treino.

O curioso é que, ao contrário do que muita gente imagina, a lógica do método dele não tinha nada de mirabolante. Nada de invenção da roda, nada de periodização quântica interdimensional, nada de 37 exercícios exóticos por sessão.

A base era simples: um ciclo de 12 semanas, progressão linear, um lift principal por dia e assistências escolhidas com uma função clara.

Em outras palavras: uma estrutura simples, mas muito bem amarrada.


ESTRUTURA GERAL

A divisão semanal seguia mais ou menos isso (mais ou menos um upper/lower):

Segunda: supino
Terça: agachamento
Quarta: descanso
Quinta: supino inclinado
Sexta: terra
Fim de semana: descanso

Ou seja, nada de treinar os 3 lifts pesados toda hora, nem de transformar tudo em um festival de fadiga desnecessária.

Cada dia tinha um movimento principal. O treino girava em torno dele. O resto entrava para complementar, não para disputar protagonismo com o lift do dia.

Isso aqui já elimina um erro comum: gente que diz que quer ficar forte em agacho, supino e terra, mas monta treino como se o objetivo principal fosse fazer pump em 14 músculos diferentes no mesmo dia.


A PROGRESSÃO DO LIFT PRINCIPAL

O coração do método era uma progressão linear de 12 semanas, mais ou menos assim:

  • Semana 1: 2x10 @ 70%

  • Semana 2: 2x10 @ 70%

  • Semana 3: 2x8 @ 73%

  • Semana 4: 2x8 @ 78%

  • Semana 5: 2x5 @ 82,5%

  • Semana 6: 2x5 @ 85%

  • Semana 7: 2x5 @ 88%

  • Semana 8: 2x3 @ 92%

  • Semana 9: 2x3 @ 96%

  • Semana 10: 2x2 @ 100%

  • Semana 11: 2x2 @ 103%

  • Semana 12: 1x1 @ 110%

Antes que alguém olhe isso e pense “wtf, 110%?”, calma.

Esses percentuais partem de um máximo pré-ciclo feito com forma sólida. Não é necessariamente o maior lift da sua vida depois de 14 cafés, 3 tapas na cara e um grito de guerra.

Na prática, o que ele fazia era usar um número de referência suficientemente realista para permitir progressão ao longo do bloco. Da pra imaginar um single pesado com RPE 9 como máxima, o que daria algo como 95% da máxima real, então é razoável imaginar tirar ~5% aí desses percentuais, se for usada uma máxima real.

A lógica é bem óbvia:

  • no começo, mais repetições e intensidade moderada;

  • no meio, redução gradual das reps e aumento da carga;

  • no fim, trabalho altamente específico, pesado e voltado para pico.

Ou seja, uma periodização extremamente clássica de transição de volume para intensidade.

Nada revolucionário. Só bem feito.


O PULO DO GATO

O que faz esse modelo ser bom não é “mágica”. É que ele acerta em cheio em vários princípios que quase sempre funcionam bem para força:

1) prática frequente dos padrões principais;
2) progressão clara;
3) especificidade crescente;
4) volume suficiente, mas não absurdo;
5) redução de fadiga na reta final.

Tem muita gente que complica demais aquilo que já funciona muito bem em formato simples.

O treino do Coan não parecia montado por alguém tentando impressionar o Instagram. Parecia montado por alguém tentando levantar mais peso.

E isso faz bastante diferença.


COMO AS ASSISTÊNCIAS ENTRAVAM

Aqui entra uma parte importante.

Ele não fazia só o lift principal e ia embora pra casa. Também não enchia a sessão de exercício aleatório sem critério. Havia uma lógica bem clara:

  • 1 assistência principal

  • 2 a 3 exercícios menores, com foco em massa muscular e suporte estrutural

No total, o treino normalmente ficava com 4 a 5 exercícios, já contando o principal.

Ou seja, o treino não era minimalista no sentido burro de “só faço o básico”. Era minimalista no sentido bom: fazer o que importa, sem entulho.


A ASSISTÊNCIA PRINCIPAL MUDAVA AO LONGO DO BLOCO

Isso aqui é uma das partes mais inteligentes do modelo.

A assistência principal não era fixa do começo ao fim. Ela mudava conforme a fase.

FASE 1 (SEMANAS 1–4)

Entrava um exercício parecido com o lift principal, mas voltado para corrigir fraqueza.

Exemplos:

  • front squat para quadríceps fracos

  • close-grip bench para tríceps fracos

  • RDL para posteriores fracos

Traduzindo: no começo do bloco, a ideia era construir base e atacar gargalos.

FASE 2 (SEMANAS 5–7)

Aí a coisa começava a ficar mais pesada e mais específica.

Entravam exercícios de sobrecarga, tipo:

  • board press

  • supino a partir dos pinos

  • excêntricas acentuadas

Aqui o objetivo já era aproximar mais da demanda neural do lift principal.

FASE 3 (SEMANAS 8–9)

A lógica era usar uma sobrecarga ainda mais agressiva.

Ou seja, conforme o lift principal se aproxima do pico, a assistência principal também muda de perfil. Menos “construção geral”, mais “transferência específica”.

FASE 4 (SEMANAS 10–12)

Sem assistência principal.

E isso aqui é excelente.

Muita gente acha que precisa manter o treino acessório pesado até o último segundo do bloco. Resultado: chega no pico moído, lento, travado e sem render o que podia.

Coan fazia o contrário. Conforme o lift principal ficava realmente pesado, ele tirava o que pudesse atrapalhar recuperação.

Treino bom de força não é só saber adicionar. É saber retirar na hora certa.


A ASSISTÊNCIA “MENOR”

Além da assistência principal, ainda havia exercícios de menor estresse, com foco mais em hipertrofia dos músculos importantes para cada lift.

A lógica era mais ou menos essa:

No dia de supino

  • tríceps

  • deltoides

  • peitoral

No dia de agachamento

  • quadríceps

  • glúteos

  • lombar

No dia de terra

  • posteriores

  • glúteos

  • upper back (dá pra jogar isso aqui no dia de supino tb, junto com o treino de latíssimo dorsal)

Esses exercícios eram normalmente feitos na faixa de 6–8 reps.

Ou seja, não era trabalho decorativo. Era acessório de verdade, feito para gerar adaptação útil.

Isso aqui é outra lição importante: o treino de força não vive só de singles, doubles e triples. Massa muscular relevante continua sendo parte importante da equação.

Se seus tríceps, quadríceps, glúteos, posteriores e upper back são insuficientes, seus lifts também serão.


O QUE DÁ PRA TIRAR DISSO

A grande lição do método não é “copie exatamente o que Ed Coan fazia e tudo dará certo”.

Até porque ele era Ed Coan, não um cara qualquer com 11 meses de treino, sono ruim e técnica duvidosa querendo meter 103% na semana 11 porque viu num post de Instagram.

A lição real é outra:

1) organize o treino em torno dos lifts que importam;
2) use progressão simples e objetiva;
3) escolha assistências com função clara;
4) mude o perfil das assistências ao longo do bloco;
5) reduza fadiga quando o pico se aproxima.

É isso que muita gente esquece.

O sujeito quer periodizar força, mas monta o treino como se estivesse sorteando exercício no bingo. Aí depois diz que “periodização não funciona”.

Funciona sim. Só precisa ter lógica.


CONCLUSÃO

O método associado ao Ed Coan é um ótimo exemplo de como um treino extremamente eficaz pode ser, ao mesmo tempo, simples.

Não simples no sentido de raso.
Simples no sentido de objetivo.

Um lift principal por dia.
Uma progressão clara.
Assistências escolhidas por necessidade.
Mais especificidade com o passar das semanas.
Menos fadiga quando o pico se aproxima.

No fim das contas, é quase anticlimático: o “segredo” era treinar com estrutura, consistência e bom senso.

Que, convenhamos, já é mais do que muita gente faz.

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