Postado 4/04/2010 às 17:44 04/4, 2010 Os brasileiros foram convocados a revogar com urgência um recorde assustador. Segundo levantamento da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes, instituição que presta serviço a ONU, somos os maiores consumidores mundiais de anfetaminas, uma substancia utilizada na composição de boa parte dos remédios para emagrecer. Entre 2001 e 2005, o índice de pessoas que já usaram medicamentos para emagrecer dobrou no Brasil, passando de 1,5 % para 3% da população. Aparentemente, este seria um assunto restrito ao público usuário desses medicamentos. É engano. O consumo dos chamados aneroxígenos transformou-se num drama compartilhado por familiares, amigos e colegas de escola e trabalho de vítimas do uso descontrolado de medicamentos, muitas vezes pela indução ao culto da estética da magreza. São, na sua grande maioria mulheres e adolescentes que submetem - se a dietas cruéis e são vitimas pelos transtornos alimentares. Mesmo que a medicação não seja a única explicação para as doenças associadas à tentação compulsiva de perda radical de peso, sabe-se que os remédios são presença freqüentes nessas situações. O fato positivo é que, depois de tantas advertências inconseqüentes a respeito da utilização das substanciais, a Anvisa, a Agencia Nacional de Vigilância Sanitária, acionou o sinal de alerta, disposta a envolver toda a sociedade no debate. Partiu dela, órgão encarregado de fiscalizar tudo o que se refere a questões de saúde no país, a convocação para que esse quadro seja revertido a partir de um maior controle das drogas emagrecedoras. A prioridade é revisar as atuais normas legais de prescrição de anorexígenos e desestimular seu uso. Combatem-se um dos fatores desencadeadores da massificação dos medicamentos, que é a facilidade de acesso aos receituários. A isso juntam-se outros aspectos, entre os quais o condenável estímulo ao emagrecimento radical como forma de enquadramento em padrões irreais de beleza.É comum que uma pessoa que deseja emagrecer procure a farmácia em busca de uma solução rápida, como se tomar determinado “remédio” fosse o necessário para alcançar o seu peso ideal achando que, se deu certo com um “colega” dará também consigo. Porém, por trás dessa ilusória rápida perda de peso, se escondem efeitos colaterais e insucesso. Muito se tem discutido a respeito das drogas utilizadas no tratamento da obesidade. Vários especialistas são contra o uso de certas drogas, bem como, alertam para o abuso que muitos indivíduos, ou mesmo profissionais não-especialistas, andam cometendo. Por outro lado, já está bem estabelecido que em indivíduos muito obesos, com complicações de saúde, há uma forte indicação para o uso de drogas para a perda de peso. Somente os médicos (seguindo critérios), podem prescrever alguma droga para um indivíduo obeso, fundamentando a sua escolha em rígidos critérios clínicos para a definição correta de qual medicamento usar, bem como qual paciente deve ou não se beneficiar desse tipo de tratamento, baseando sua decisão em evidências científicas comprovadamente seguras. O Royal College of Physicians da Inglaterra recomenda que medicamentos para emagrecer sejam usados somente para adultos com IMC (Índice de Massa Corpórea) acima de 30 e que já tenha tido fracasso na perda de 10% de seu peso através de uma combinação de dieta, exercício e mudança de comportamento. Ou seja, o primeiro passo para emagrecer é dieta, exercício e mudança de hábito. O Consenso Latino-americano em Obesidade preconiza que o tratamento medicamento pode ser amplicado quando : I.M.C. igual ou maior que 30 I.M.C. igual ou maior que 25, se acompanhado de outros Fatores de Risco como Hipertensão Arterial, Diabetes Mellitus tipo 2, Hiperlipidemia, etc. Quando o tratamento convencional (dieta+exercícios) não obteve êxito. Preconiza ainda, que as premissas fundamentais para a indicação da farmacoterapia em obesidade são: A medicação não deve ser o único meio de tratamento (ou seja, deve estar associada à dieta + exercícios). Deve estar focada para o tratamento geral do paciente e não exclusivamente para a redução de peso Sempre deve ser prescrita e acompanhada por um médico Classificação dos fármacos Os fármacos para o combate da obesidade se dividem em 3 grupos principais, de acordo com o seu principal modo de ação, atuando : Sobre o sistema nervoso central modificando o apetite ou a conduta alimentar Catecolaminérgico : Fentermina, Fenproporex, Anfepramona (Dietilpropiona), Mazindol, Fenilpropanolamina Serotoninergico : Fluoxetina , Sertralina Serotoninergico + Catecolaminergico: Sibutramina [*]Sobre o metabolismo, incrementando a termogênese (com produção de calor e maior consumo de calorias) Efedrina, Cafeina e Aminofilina Sobre o sistema gastrointestinal diminuindo a absorção de gorduras Orlistat CATECOLAMINÉRGICOS Substância: Fentermina Mecanismo de Ação: Diminue a ingestão alimentar por mecanismo noradrenérgico Efeitos Colaterais: Boca seca, insônia, taquicardia, ansiedade Nome Comercial*: Ionamin, Adipex, Fastin, Banobese, Obenix, Zantril Substância: Fenproporex Mecanismo de Ação: Diminue a ingestão alimentar por mecanismo noradrenérgico Efeitos Colaterais: Boca seca, insônia, taquicardia, ansiedade. Nome Comercial*: Desobesi-M, Inobesin, Lipomax AP. Substância: Anfepramona (Dietilpropiona) Mecanismo de Ação: Diminue a ingestão alimentar por mecanismo noradrenérgico Efeitos Colaterais: Boca seca, insônia, taquicardia, ansiedade. Nome Comercial: Dualid S, Hipofagin, Inibex, Moderine, Obesil Substância: Mazindol Mecanismo de Ação: Diminui a ingestão alimentar por mecanismo noradrenérgico e dopaminérgico. Não é derivado da feniletilamina como os três anteriores. Efeitos Colaterais: Boca seca, insônia, taquicardia, ansiedade Nome Comercial: Dasten, Fagolipo Substância: Fenilpropanolamina Mecanismo de Ação: Atua aumentando a ação adrenérgica Efeitos Colaterais: Sudorese, taquicardia, eventualmente aumenta a pressão arterial Nome Comercial: Vende-se sem restrição em alguns países. Accutrim, Dexatrim. SEROTONINÉRGICOS Substância: Fluoxetina Mecanismo de Ação: Inibição da recaptação da serotonina Efeitos Colaterais: Cefaléia, insônia, ansiedade, sonolência e diminuição do libido Nome Comercial: Prozac Substância: Sertralina Mecanismo de Ação: Inibição da recaptação da serotonina Efeitos Colaterais: Cefaléia, insônia, ansiedade, sonolência e diminuição da libido Substância: DexFenfluramina (Retirada do mercado) Mecanismo de Ação: Age sobre a serotonina Efeitos Colaterais: Sonolência, cefaléia, boca seca e aumento do ritmo intestinal. Problemas nas válvulas cardiácas. Nome Comercial: Isomeride, Delgar, Fluril, Fatinil SEROTONINÉRGICOS E CATECOLAMINÉRGICOS Substância: Sibutramina Mecanismo de Ação: Inibição da recaptação da serotonina e da noradrenalina, central e perifericamente, diminuindo a ingesta e aumentando o gasto calórico Efeitos Colaterais: Boca seca, constipação, taquicardia, sudorese, eventualmente aumento da pressão arterial Nome Comercial: Meridia, Reductil, Plenty Substância: Fenfluramina (Retirada do mercado) Mecanismo de Ação: Age sobre a serotonina e da noradrenalina Efeitos Colaterais: Sonolência, cefaléia, boca seca e aumento do ritmo intestinal. Problemas nas válvulas cardiácas. Nome Comercial: Minifage AP e Lipese AP TERMOGÊNICOS Substância: Efedrina Mecanismo de Ação: Agonista adrenérgico Efeitos Colaterais: Sudorese, taquicardia, eventualmente aumento da pressão arterial Substância: Cafeína Mecanismo de Ação: Aumento da ação da noradrenalina em terminações nervosas potencializando o efeito da efedrina Efeitos Colaterais: Gastrite, taquicardia Substância: Aminofilina Mecanismo de Ação: Aumenta a ação da noradrenalina em terminações nervosas potencializando o efeito da efedrina Efeitos Colaterais: Gastrite, taquicardia INIBIDOR DA ABSORÇÃO INTESTINAL DE GORDURAS Substância: Orlistat Mecanismo de Ação: Atua no lúmen intestinal inibindo a lipase pancreática que é uma enzima necessária para a absorção de triglicerídeos Efeitos Colaterais: Esteatorréia (diarréia gordurosa), incontinência fecal, interfere na absorção das vitaminas A, D, E e K, necessitando de suplementação. Nome Comercial: Xenical Conclusão: O uso de medicamentos ou qualquer outra substância para emagrecer é eficaz no tratamento da obesidade, mas somente nos casos que tenham indicação (descritos acima). O uso isolado de drogas para emagrecer não é suficiente para uma perda de peso permanente, saudável e eficiente. A obesidade é multifatorial e num plano para perda de peso devem estar envolvidos: mudança nos hábitos alimentares, atividades físicas e uma equipe de apoio (médicos e nutricionistas), para que quando da suspensão gradual do medicamento, o novo peso seja mantido, conforme mostram algumas pesquisas realizadas. Além disso, como vimos no quadro acima uso de qualquer medicamento pode levar a simples efeitos colaterais, suportáveis, e que não agridem seriamente a saúde do indivíduo, mas também podem ocasionar sérios efeitos, com prejuízo a saúde. Por isso, nada de tomar medicações por conta própria, fuja de qualquer um que lhe ofereça fórmulas, remédios… O que dá certo para alguém, pode causar sérios danos à sua saúde. Portanto, como já foi dito várias vezes, no tratamento para a obesidade é fundamentalmente uma mudança de comportamento (alimentação saudável e exercícios). Procure o apoio de profissionais especializados, eles sim saberão escolher o melhor plano de emagrecimento, e também saberão aplicar, quando necessário, algum medicamento para ajudar no tratamento. Assim, antes de pedir receita ao seu médico ou comprar o “remédio” na farmácia, por conta própria, o que é pior, pergunte-se a si mesmo se você está pronto para mudar seus hábitos de vida! fonte: solto.com.br
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