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Jones Sobre Luta Com Anderson: "só Teria A Ganhar"

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Postado

EXCLUSIVO: Jones diz que mudou de ideia sobre superluta com Anderson: 'Eu só teria a ganhar'

O sonho de uma luta entre Anderson Silva e Jon Jones está mais real. Os dois maiores lutadores da atualidade, campeões dominantes em suas categorias no UFC, estão na mira de Dana White, presidente da entidade. Dana quer um superduelo entre ambos e, até agora, os dois astros vinham se esquivando da possibilidade. Até agora.

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Em Goiânia, durante sua segunda visita ao Brasil, Jon Jones falou com exclusividade ao ESPN.com.br. E, pela primeira vez, admitiu a possibilidade de enfrentar o brasileiro. A luta seria, nas palavras de Jones, uma "win-win situation" - em bom português, uma situação em que ele só teria a ganhar.

A opinião de Jones a respeito da superluta mudou. Em julho, antes do duelo entre Anderson Silva e Chael Sonnen, em Las Vegas, o campeão dos meio-pesados havia definido a possibilidade com uma expressão contrária à usada em Goiânia. Na época, ele disse que gostaria de ter Anderson como um treinador no futuro e classificou um possível duelo no octógono como uma "lose-lose situation", em que só teria a perder.

A luta com Anderson Silva poderia ser uma boa chance para Jones voltar ao Brasil. Mas o norte-americano, que foi muito requisitado e se surpreendeu com o carinho dos fãs, não pretende encarar um rival brasileiro quando voltar ao país. "Quero lutar aqui, mas não contra um brasileiro. Eles gritam 'Uh, vai morrer!', e eu não quero morrer; só quero vir até aqui, lutar e voltar para casa", brincou.

Jones fez, em três dias de visitas, um pacote de atividades básicas para um estrangeiro em uma "cidade maravilhosa, apesar de não ter praia", como ele definiu: tomou caipirinha, comeu feijoada e caiu na balada, dançando música sertaneja até no saguão do hotel. E, como todo bom turista, tirou fotos, muitas fotos. Só que a atração, no caso, era ele. "Nem nos Estados Unidos me sinto tão estrela assim", disse.

Entre tanto carinho e tantas fotos, só uma coisa parecia incomodar o risonho gigante norte-americano: a fatídica pergunta sobre a luta com Anderson Silva. Ao ESPN.com.br, ele revelou que já começa a ver vantagens em encarar o brasileiro. Mas Jones falou mais. Relembrou o começo da carreira, prometeu dar uma surra em Chael Sonnen e confidenciou que entrou no MMA para ganhar dinheiro, depois de engravidar a namorada, hoje noiva.

Atualmente rico e consagrado, Jones disse ter outras motivações. "Quero mostrar que sou uma boa pessoa, que só está tentando trazer alegria e inspiração para os outros".

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Leia a entrevista completa com Jon Jones:

ESPN.com.br - Em suas últimas cinco lutas, você venceu três brasileiros. Mas o público parece não ligar para isso...

Jon Jones - Sim! Isso me surpreendeu. Eu achei que seria bem diferente. Mas todos me trataram como se eu fosse um lutador brasileiro, e isso é incrível. Os brasileiros são as pessoas mais bonitas que já vi, e não estou falando apenas de beleza física, mas do espírito. Eu amo o Brasil e será muito fácil voltar para cá.

ESPN.com.br - Você pareceu até assustado com tanto assédio.

Jones - Olha, para dizer a verdade, eu estou me sentido mais famoso aqui do que nos Estados Unidos. Aqui eu me senti realmente como uma estrela. Mas isso faz sentido, até. Aqui tem pay per view para o UFC?

ESPN.com.br - Sim. Mas alguns eventos também são transmitidos pela TV aberta, na emissora de maior audiência.

Jones - Então, vocês têm mais acesso ao UFC aqui no Brasil dos que os norte-americanos. E, bem, os brasileiros criaram o UFC, foi onde tudo começou. Então faz sentido que as pessoas conheçam muito sobre o esporte aqui.

ESPN.com.br - Antes de vir para a entrevista, comentei com um dos meus editores que entrevistar você atualmente seria como falar com Mike Tyson no fim dos anos 1980. Ele disse que não, que você é mais famoso no Brasil hoje do que o Tyson seria na época...

Jones - Uau! É sério?

ESPN.com.br - Sim. E você parece surpreso.

Jones - Claro que estou surpeso. Isso é muito louco! Mike Tyson é um dos maiores de todos os tempos. Mas não acho que a questão seja propriamente comigo. Acho que o MMA está crescendo muito, então esse momento tem mais a ver com o que o esporte está se tornando. É o esporte que cresce mais rapidamente no mundo e nós estamos vendo isso.

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ESPN.com.br - Você pareceu muito relaxado nesses dias que passou no Brasil. Mas quando voltar aos Estados Unidos, terá muito trabalho pela frente, não é? [Jones será um dos técnicos do reality-show The Ultimate Fighter e enfrentará Chael Sonnen, outro treinador do programa, em abril]

Jones - Eu vou voltar para casa na segunda e começo a trabalhar já na segunda. Aliás, vou no domingo e começo na segunda. É por isso que estou me divertindo tanto aqui no Brasil. Porque sei que, quando voltar, eu terei de retomar a rotina e pegar pesado e começar a pensar em Chael.

ESPN.com.br - Você tem apenas 25 anos, menos de 5 de experiência no MMA. Como vai ser essa experiência de ser treinador?

Jones - Vai ser muito diferente para mim, simplesmente porque não sou um treinador. Estou no auge da minha carreira e costumo me concentrar em mim, tentando melhorar as minhas habilidades. Mas será bom para mostrar ao mundo um pouco de como eu sou como pessoa. Nesse ponto vai ser algo muito bom para mim e para minha carreira. E, bem, no fim há a luta dos técnicos, e será ótimo participar disso. Quero ensinar aos lutadores da minha equipe como ser um campeão, como se esforçar para isso. Quero ensinar mais para eles sobre psicologia do que sobre táticas.

ESPN.com.br - A torcida brasileira conhece muito bem o Chael Sonnen. Você acha que ter um cara como ele, falastrão e polêmico, é bom ou ruim para o esporte?

Jones - Acho que é bom para o MMA ter um cara que fale muito e chame a atenção para o esporte. Isso certamente é bom. Mas eu acho errada a forma com que ele faz isso: desrespeitando as outras pessoas. Se você quer desrespeitar um atleta falando de técnica ou habilidade, você até pode fazer isso. Mas falar da mulher dos outros, do país, aí eu acho que é ir longe demais. Eu quero que minha luta com ele seja uma "parte dois" do que foi a luta com Anderson. Quero puní-lo um pouco mais por tudo o que ele falou.

ESPN.com.br - Nas suas cinco últimas lutas, você enfrentou ex-campeões do UFC. E você venceu todos de forma dominante. Não é um tanto frustrante enfrentar o Sonnen, que vem de derrota e fará a reestreia na categoria até 93 kg?

Jones - Não, não acho. Eu certamente enfrentei caras melhores do que Chael Sonnen, mas para continuar como campeão eu devo encarar todas as lutas com seriedade. Então, quando os treinos começarem, eu terei de me esforçar ao máximo, fazendo tudo o que for possível.

ESPN.com.br - Mudando de assunto: é verdade que essa carreira vitoriosa e impressionante começou por causa de uma gravidez indesejada?

Jones - Sim, é verdade. Eu estava na faculdade e minha namorada ficou grávida sem que nós esperássemos. Então eu decidi que teria de amadurecer e coloquei minha família acima de tudo. Precisava de um trabalho e o MMA foi a profissão que escolhi seguir. Ela estava esperando um bebê e, bem, eu precisava me tornar um homem. Foi difícil e precisei me esforçar muito, mas cinco anos depois acho que valeu a pena.

ESPN.com.br - Essa era a época de lutar uma vez por semana...

Jones - E era muito legal, lutávamos uma vez por semana, mesmo, mas era algo com o que eu já estava acostumado desde os tempos da faculdade. Eu me diverti muito aprendendo a lutar MMA e aprendi muito rápido, mesmo. Acho que qualquer pessoa pode aprender as coisas rapidamente, desde que tenha paixão pelo que faz e trabalhar duro.

ESPN.com.br - Naquela época, você lutava pelo dinheiro. Hoje, você luta por quê?

Jones - Para mostrar que sou uma boa pessoa, que só está tentando trazer alegria e inspiração para os outros.

[Neste momento, um grupo de fãs interrompe a entrevista. Jones se levanta do sofá no lobby do hotel e dá início a uma sessão de fotos que dura cerca de cinco minutos].

ESPN.com.br - Você começou em 2008, aprendeu rápido e logo estava no UFC. Em 2011, tornou-se campeão em uma luta incrível contra Maurício Shogun. Foi a melhor luta da sua vida?

Jones - Eu acho que minha melhor luta foi a última, contra o Vitor Belfort [em setembro, no UFC 152]. E acho que foi a melhor porque tive de lidar com uma adversidade. Ele conseguiu me dar uma chave, e meu braço quase quebrou... Mas ainda assim consegui vencer. Qualquer um pode entrar lá, lutar e vencer, mas lutar sentindo dores, lutar com dificuldades... Isso significa muito para mim, então por isso a luta com Belfort foi, na minha opinião, a melhor da minha carreira.

ESPN.com.br - Quando o Vitor conseguiu encaixar a chave de braço, você chegou a pensar na derrota?

Jones - Em um determinado momento, quando ele estava com a chave de braço encaixada, eu senti que poderia perder, sim. Mas não porque eu iria bater e desistir da luta. Pensei que pudesse perder por interrupção do árbitro, com meu braço quebrado.

ESPN.com.br - Como o Minotauro na luta contra o contra Frank Mir...

Jones - Isso. Eu não iria bater, o árbitro teria de parar a luta.

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ESPN.com.br - Na luta contra o Belfort, você teve essa dificuldade técnica. Mas contra o Rashad Evans também parece ter sido difícil, mas por outros motivos.

Jones - Sim, concordo com você. Rashad foi talvez o maior desafio que tive em termos psicológicos, porque tínhamos uma amizade muito grande. [Ambos treinavam juntos até que Jones tornou-se campeão e foi desafiado por Evans]

ESPN.com.br - Em alguns esportes, como a Fórmula 1, dizem que o melhor jeito de fazer amigos é comprando um cachorro. Você tem amigos no MMA?

Jones - Sim, tenho muitos amigos no MMA e no UFC. A maioria deles treina comigo e faz parte da minha equipe.

ESPN.com.br - Já que você falou na sua equipe, qual é a importância do Greg Jackson [considerado um dos melhores treinadores de MMA do mundo] na sua vida?

Jones - Eu e Greg temos uma ligação muito grande. Ele sabe muito, tem um conhecimento muito grande. Ainda há muitas coisas que ele nem me ensinou, então acho que poderei evoluir mais. Eu e Greg ficaremos juntos por muito tempo, ainda. Sempre há o que melhorar com ele.

ESPN.com.br - Ele estará na sua equipe do TUF?

Jones - Com certeza. Ele e outros membros de nossa equipe.

ESPN.com.br - Você vem de uma família de esportistas, e seus dois irmãos jogam futebol americano [Arthur joga pelo Baltimore Ravens; Chandler pelo New England Patriots]. Como fica a discussão em casa sobre quem é o melhor atleta entre os três?

Jones - A gente não costuma fazer esse tipo de comparação sobre quem é o melhor atleta, até porque são coisas bem diferentes: eu luto MMA, eles jogam futebol americano... Nós somos muito competitivos, sempre, mas não para esse tipo de comparação. A gente torce um pelo outro, sempre. Levamos mais para este lado.

ESPN.com.br - E você nem tentou jogar futebol?

Jones - Eu tentei jogar na escola, na verdade até joguei bastante, mas não era muito bom. O wrestling era o esporte em que eu me destacava e não tive muitas dúvidas sobre que caminho seguir. Valeu a pena, porque consegui até uma bolsa para entrar na faculdade.

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ESPN.com.br - Voltando para o MMA: há quem diga que, com o tempo, você não conseguirá se manter na categoria dos meio-pesados e terá de subir de categoria, para os pesados. Existe essa possibilidade?

Jones - Não penso nisso, ainda. Mas analisando pelo que acontece atualmente, eu tenho me tornado mais maduro, mais responsável, então tem sido até mais fácil cortar o peso. Era para estar mais difícil com o passar dos anos, mas está ficando mais fácil. Então por enquanto estou tranquilo, tem funcionado bem para mim.

ESPN.com.br - Você venceu cinco ex-campeões dos meio-pesados em sequência. Jon Jones conseguiu "limpar" a categoria?

Jones - Acho que não, eu não sinto assim. Há algumas lutas que ainda não fiz, algumas grandes lutas: [Alexander] Gustafsson, Glover Teixeira, Dan Henderson, a luta com Chael Sonnen... Há algumas lutas que ainda não aconteceram.

ESPN.com.br - O Glover já entra nessa lista, então. O que você acha dele?

Jones - Ele é ótimo. É muito bom ter um cara como ele no nosso esporte, é muito bom para a categoria porque aumenta a competitividade, é um cara bom a mais. Acho ele ótimo.

ESPN.com.br - Já que você gostou tanto do Brasil, não pensa em voltar aqui para lutar?

Jones - Eu com certeza gostaria muito de lutar no Brasil, seria ótimo voltar aqui para lutar. Mas não contra um brasileiro. A torcida aqui tem aquele grito de "Uh, vai morrer!", e eu não quero morrer; só quero vir até aqui, lutar e voltar para casa.

ESPN.com.br - Existe alguma chance de vermos Jon Jones na Olimpíada do Rio, disputando uma medalha no wrestling?

Jones - Não, não, não. Não estou pronto para nenhum tipo de esporte olímpico fora do MMA.

ESPN.com.br - Pergunto porque o Anderson Silva já disse que pretende lutar por uma vaga no taekwondo, em 2016...

Jones - Seria muito legal ver o Anderson na Olimpíada, acho até que ele possivelmente venceria.

ESPN.com.br - E por falar em Anderson Silva, quantas vezes você ouviu perguntas sobre a luta com ele? Pode contar só as dos últimos três dias.

Jones - Eu ouço essa pergunta a toda hora, tanto de fãs quanto de jornalistas. Nem sei mais quantas vezes, mas foram muitas. Todo mundo me faz essa pergunta.

ESPN.com.br - A primeira vez que te fizemos a pergunta sobre uma luta com o Anderson foi em julho, antes de ele vencer o Chael Sonnen. Na época, você disse que não teria nada a ganhar lutando com ele. Sua opinião ainda é a mesma?

Jones - Eu não sei... Bem, eu já não vejo mais como uma situação em que só teria a perder. Na verdade, agora já acho que só teria a ganhar. [fica em silêncio por 2s] Mas eu não sei, realmente não sei. Agora eu preciso ir, estou muito cansado.

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* to achando que essa luta vai acontecer.

Editado por Giganti

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