Postado 4/03/2014 às 00:38 03/4, 2014 Ensaios, Poesias, Odes, Elegias e Demais Manuscritos Prólogo Literatura é trivialmente descrita como a arte da palavra. O poeta é um fingidor. Finge tão completamente Que chega a fingir que é dor A dor que deveras sente. Fernando Pessoa O pensamento, expresso na escrita ou na oralidade, precede qualquer ato. Basta observar o Gênesis Bíblico. Deus, antes de criar formas e vidas em nosso planeta, recorreu ao verbo antes do ato. Eis uma prova do poder da palavra, já enunciado sutilmente nos escritos antigos. No princípio criou Deus o céu e a terra. E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas. E disse Deus: Haja luz; e houve luz. E viu Deus que era boa a luz; e fez Deus separação entre a luz e as trevas. E Deus chamou à luz Dia; e às trevas chamou Noite. E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro. E disse Deus: Haja uma expansão no meio das águas, e haja separação entre águas e águas. Gênesis Introdução Este tópico possui a finalidade de reunir excertos literários dos gostos de cada membro do fórum. As fontes podem ser autores consagrados, mas o objetivo é a exposição da arte criada por cada um de nós. Exponham seus textos e poesias, antigas ou recentes, aos nossos companheiros. Os ensaios poderão ser avaliados pelos seguidores do tópico. Capítulos Através de um prefácio moralizante e de uma breve introdução, este tópico será enriquecido com a sua criatividade. Participem! Editado 4/03/2014 às 00:59 03/4, 2014 por Flavio Gomes
Postado 4/03/2014 às 00:42 03/4, 2014 "Não acredito em Deus porque nunca o vi. Se ele quisesse que eu acreditasse nele, Sem dúvida que viria falar comigo E entraria pela minha porta dentro Dizendo-me, Aqui estou! [...] Mas se Deus é as flores e as árvores E os montes e sol e o luar, Então acredito nele, Então acredito nele a toda a hora, E a minha vida é toda uma oração e uma missa, E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos. Mas se Deus é as árvores e as flores E os montes e o luar e o sol, Para que lhe chamo eu Deus? Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar; Porque, se ele se fez, para eu o ver, Sol e luar e flores e árvores e montes, Se ele me aparece como sendo árvores e montes E luar e sol e flores, É que ele quer que eu o conheça Como árvores e montes e flores e luar e sol. E por isso eu obedeço-lhe, (Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?), Obedeço-lhe a viver, espontaneamente, Como quem abre os olhos e vê, E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes, E amo-o sem pensar nele, E penso-o vendo e ouvindo, E ando com ele a toda a hora." completo: https://www.mundovestibular.com.br/articles/617/2/POEMAS-COMPLETOS---Alberto-Caeiro-Heteronimo-de-Fernando-Pessoa-Resumo/Paacutegina2.html) Curti a ideia do tópico. Certamente participarei bastante.
Postado 4/03/2014 às 00:57 03/4, 2014 Depois esse povo tem coragem de dizer que marombeiro é burro e tem a mente vazia De certo vou passar por aqui sempre Pena não ter nada em mente pra deixar registrado agora
Postado 4/03/2014 às 01:11 03/4, 2014 "Não acredito em Deus porque nunca o vi. Se ele quisesse que eu acreditasse nele, Sem dúvida que viria falar comigo E entraria pela minha porta dentro Dizendo-me, Aqui estou! [...] Mas se Deus é as flores e as árvores E os montes e sol e o luar, Então acredito nele, Então acredito nele a toda a hora, E a minha vida é toda uma oração e uma missa, E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos. Mas se Deus é as árvores e as flores E os montes e o luar e o sol, Para que lhe chamo eu Deus? Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar; Porque, se ele se fez, para eu o ver, Sol e luar e flores e árvores e montes, Se ele me aparece como sendo árvores e montes E luar e sol e flores, É que ele quer que eu o conheça Como árvores e montes e flores e luar e sol. E por isso eu obedeço-lhe, (Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?), Obedeço-lhe a viver, espontaneamente, Como quem abre os olhos e vê, E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes, E amo-o sem pensar nele, E penso-o vendo e ouvindo, E ando com ele a toda a hora." completo: https://www.mundovestibular.com.br/articles/617/2/POEMAS-COMPLETOS---Alberto-Caeiro-Heteronimo-de-Fernando-Pessoa-Resumo/Paacutegina2.html) Curti a ideia do tópico. Certamente participarei bastante. Esse livro de poemas de Fernando Pessoa "O guardador de rebanhos" é muito bom. Bom livro pra se ter de cabeceira, ler a hora de dormir. Eu gosto bastante das declamações que o Abujamra faz no final do seu programa, vou postar algumas: 1) Este é do livro O guardador de rebanhos, de Alberto Caeiro (Pessoa). É interessante a reinvenção que Alberto Caeiro faz de Cristo. 2) Borges. Este é um escrito bacana de quando Shakespeare chega ao céu e faz um pedido a Deus. É uma alusão aos julgamentos. 3) Mais uma de Borges, dessa vez na entrevista com uma atriz. Começa a 1:50 - "O sonho não deve passar de uma noite", o título. Editado 4/03/2014 às 01:15 03/4, 2014 por dones
Postado 4/03/2014 às 01:30 03/4, 2014 Carlos Drummond De Andradade - "O Homem, As Viagens" O homem, bicho da terra tão pequeno Chateia-se na terra Lugar de muita miséria e pouca diversão, Faz um foguete, uma cápsula, um módulo Toca para a lua Desce cauteloso na lua Pisa na lua Planta bandeirola na lua Experimenta a lua Coloniza a lua Civiliza a lua Humaniza a lua. Lua humanizada: tão igual à terra. O homem chateia-se na lua. Vamos para marte - ordena a suas máquinas. Elas obedecem, o homem desce em marte Pisa em marte Experimenta Coloniza Civiliza Humaniza marte com engenho e arte. Marte humanizado, que lugar quadrado. Vamos a outra parte? Claro - diz o engenho Sofisticado e dócil. Vamos a vênus. O homem põe o pé em vênus, Vê o visto - é isto? Idem Idem Idem. O homem funde a cuca se não for a júpiter Proclamar justiça junto com injustiça Repetir a fossa Repetir o inquieto Repetitório. Outros planetas restam para outras colônias. O espaço todo vira terra-a-terra. O homem chega ao sol ou dá uma volta Só para tever? Não-vê que ele inventa Roupa insiderável de viver no sol. Põe o pé e: Mas que chato é o sol, falso touro Espanhol domado. Restam outros sistemas fora Do solar a col- Onizar. Ao acabarem todos Só resta ao homem (estará equipado?) A dificílima dangerosíssima viagem De si a si mesmo: Pôr o pé no chão Do seu coração Experimentar Colonizar Civilizar Humanizar O homem Descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas A perene, insuspeitada alegria De con-viver. https://www.youtube.com/watch?v=4kB4Gw1KW44
Postado 6/03/2014 às 14:40 03/6, 2014 Devo admitir, não esperava um tópico como este por aqui. E não que seja preconceito ou que eu pensasse que ninguém aqui gosta de coisas do tipo. E para ser sincero, é uma surpresa muito gratificante. Vou deixar minha primeira contribuição. * * * “Agora já é tarde. Só reparo o tempo quando já passou. Sou um cego que vê muitas portas. Abro aquela que está mais perto. Não escolho, tropeço a mão no fecho. Minha vida não é um caminho. É uma pedra fechada à espera de ser areia. Vou entrando nos grãos do chão, devagarinho. Quando me quiserem enterrar já serei terra.” Mia Couto, livro “Vozes Anoitecidas”
Postado 6/03/2014 às 16:15 03/6, 2014 Devo admitir, não esperava um tópico como este por aqui. E não que seja preconceito ou que eu pensasse que ninguém aqui gosta de coisas do tipo. E para ser sincero, é uma surpresa muito gratificante. Vou deixar minha primeira contribuição. * * * “Agora já é tarde. Só reparo o tempo quando já passou. Sou um cego que vê muitas portas. Abro aquela que está mais perto. Não escolho, tropeço a mão no fecho. Minha vida não é um caminho. É uma pedra fechada à espera de ser areia. Vou entrando nos grãos do chão, devagarinho. Quando me quiserem enterrar já serei terra.” Mia Couto, livro “Vozes Anoitecidas” Agrada-me imensamente o universalismo. Através desta característica, diferenciam-se os gênios dos efêmeros. O universalismo é a característica da obra literária em que a temática independe do espaço e do tempo, isto é, não possui prazo de validade. Epígrafe Murmúrio de água na clepsidra gotejante, Lentas gotas de som no relógio da torre, Fio de areia na ampulheta vigilante, Leve sombra azulando a pedra do quadrante, Assim se escoa a hora, assim se vive e morre… Homem que fazes tu? Para quê tanta lida, Tão doidas ambições, tanto ódio e tanta ameaça? Procuremos somente a Beleza, que a vida É um punhado infantil de areia ressequida, Um som de água ou de bronze e uma sombra que passa… Eugênio de Castro
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