Por Professor Waldemar Guimarães
No último artigo, aprendemos como nos beneficiar naturalmente deste poderoso hormônio, estimulando e controlando a sua secreção na hora certa. Neste prosseguimento, estudaremos como determinadas substâncias vêm auxiliando culturistas a salientar os efeitos da insulina indiretamente e também com a administração de insulina injetável.
A primeira substância que analisaremos é o cromo. Este é um mineral relacionado com o
metabolismo da glicose e possivelmente um co-fator da insulina. Experiências realizadas em ratos com administração de dietas baixa em cromo promoveram os sintomas de diabete melito que desapareceram após a administração deste mineral. Estimulada por estas evidências, a indústria de suplementos para atletas passou a propagar o uso de cromo na forma picolinato num esforço para salientar os efeitos anabólicos da insulina. Pode ser que a administração deste mineral funcione para pessoas com deficiência de cromo, mas eu, particularmente, não conheço nenhum estudo que comprove mudanças significativas na composição corporal de culturistas que fazem administração de picolinato de cromo. Talvez valha a pena suplementar a dieta com este mineral.
A próxima substância é o vanádio. Este mineral entre outras atividades exerce papel semelhante ao da insulina (insulin-like effect), proporcionando maior tolerância à glicose, influenciando o metabolismo glicolítico e lipídico além de diminuir a concentração plasmática do colesterol. O vanádio na forma sulfato vem sendo administrado por culturistas com efeito melhor do que o picolinato de cromo segundo quem já utilizou os dois complementos. O sulfato vanádio parece aumentar as reservas de glicogênio intracelular, tornando os músculos mais volumosos. Mas não é assim tão simples, tal como a insulina, este mineral parece, também, ter o poder de armazenar gordura. Desta forma, o melhor é controlar o consumo de gordura quando se administra este mineral. A dose recomendada de sulfato vanádio é de 30-45mg por dia dividida em 3 ou 4 administrações diárias após as refeições para evitar distúrbios estomacais e hipoglicemia. A superdosagem é tóxica, ocasionando distúrbios gastrointestinais e coloração verde azulada da língua. É aconselhável, ainda, que a administração deste mineral seja ciclada, 8 semanas de administração e duas semanas de intervalo.
Acredito que necessitamos de mais estudos científicos comparativos entre estes dois minerais. Aí está uma boa idéia para tese de mestrado.
O último recurso que analisaremos é o uso de insulina injetável por atletas, mas, antes de
seguirmos em frente, é primordial salientarmos que a administração de qualquer medicamento deve ser realizada sob a supervisão de um médico especialista o qual irá determinar as necessidades do cliente bem como regular a dosagem e/ou interromper a administração. A automedicação é perigosa e, em se tratando de insulina, o erro poderá ser fatal, ocasionando até a morte! As informações aqui contidas são baseadas naquilo que vem sendo utilizado por atletas que normalmente tem um ótimo respaldo técnico, condições de treino excelente e rigoroso controle nutricional. Portanto, não brinque com a sua vida, este é o bem mais precioso que você possui.
A insulina é um medicamento originalmente utilizado por pessoas diabéticas porque não produzem insulina em quantia adequada ou porque as suas células não reconhecem a insulina. No mundo do culturismo, este hormônio vem sendo utilizado com sucesso por aqueles que
desejam aumentar de volume muscular bem como definição e densidade.
A insulina, como já estudamos, é poderosa como agente metabolizador protéico, mas, em
contrapartida, pode estimular o armazenamento de gordura. Sendo assim, como é que poderia ser utilizada como otimizador de densidade e definição principalmente antes das competições? Explicamos já, já. Antes, vamos estudar alguns fundamentos.
Existem dois tipos básicos de insulina que se podem administrar: 1) insulina regular que tem ação rápida e inicia a sua atividade logo após a administração e tem a duração aproximada de 6 horas mas o pico de ação fica entre 1 e 2 horas após a aplicação. 2) insulina lenta que tem um tempo de ação intermediário sendo que o seu efeito inicia cerca de 1 a 3 horas após a aplicação, atingindo um efeito máximo entre 6 a 12 horas, mas pode ficar no sistema por aproximadamente 24 horas sendo que este tipo de insulina é mais imprevisível quanto ao horário de pico, podendo, ainda, ter vários por dia.
Existem diferentes fontes de insulina; pode ser de fonte suína, bovina uma mistura de ambas e humana. A insulina humana é idêntica em estrutura à insulina produzida pelo nosso pâncreas e difere muito pouco das insulinas de origem animal, mas atletas comentam que existem diferentes reações quando mudam a fonte de insulina. Todos os tipos de insulina devem ser armazenadas na geladeira, mas não congeladas, devem também ser protegidas contra o efeito da luz. Quando em desuso por várias semanas, o frasco deve ser abandonado.
A insulina vem sendo utilizada em bases regulares por atletas que desejam um benefício extra deste hormônio. Estes atletas injetam a quantidade certa na hora certa e mantém um controle nutricional rigoroso para evitar hipoglicemia severa e também armazenamento de gordura. O pâncreas naturalmente já libera insulina quando aumentam os níveis de glicose na corrente sangüínea a fim de manter um equilíbrio glicêmico, mas quando insulina extra é injetada os níveis de açúcar podem baixar muito e ocasionar a hipoglicemia. Se um atleta desavisado fizer aplicação de insulina logo de manhã cedo e só se alimentar de carboidratos complexos não terá glicose suficiente na corrente sangüínea na hora em que a insulina der o seu pico. Os sintomas de hipoglicemia característicos são: sudorese excessiva, fraqueza, perturbações visuais, tremores, dores de cabeça, falta de ar e náuseas.
Para se evitar tais sintomas, parece ser conveniente o consumo de 10 gramas de carboidrato simples (glicose) para cada UI (unidade internacional) de insulina regular (lenta) administrada cerca de 30 minutos após a injeção. Se um atleta injetou 10 UI, meia hora após consumiria cerca de 100 gramas de glicose. Se o atleta tiver fazendo uso de insulina lenta, deverá se alimentar rigorosamente a cada duas horas e meia com uma mistura de carboidratos para garantir o controle da hipoglicemia a ainda assim andar com alimentos doces no bolso, tais como balas, chocolates e pastilhas de glicose em caso de hipoglicemia eminente. Lembre-se da característica imprevisível da insulina lenta. A vantagem da sua aplicação é que sempre que o atleta fizer uma refeição, lá estará a insulina para drenar glicose e os aminoácidos para dentro da célula.
É óbvio, o atleta não deverá ingerir apenas carboidratos, terá também que manter uma dieta rica em proteínas para que aproveite todos os benefícios da insulina, o consumo de gorduras saturadas tem que ser muito limitado, mas deverá ser garantindo o consumo de gorduras essenciais ( EFAs) tais como os óleos de peixe. É conveniente lembrar que o uso de insulina é incompatível com dietas pobres em carboidratos (dieta muito preconizada recentemente para culturistas) o que evidentemente ocasionaria rapidamente um quadro hipoglicêmico e muito possivelmente a morte.
Mas e como droga pré-competição?
A insulina é utilizada junto com a dieta pré-competição naquela fase em que o atleta realiza a supercompensação de carboidratos após a fase de depleção. Só para resumir, antes das competições, os culturistas sérios realizam uma dieta especial que consiste da depleção de carboidratos por alguns dias. Nestes dias ( de 4 a 6 dias), os atletas não consomem nenhum ou quase nenhum carboidrato enquanto continuam a treinar a todo vapor. Assim, todo ou quase todo o glicogênio armazenado no corpo é gasto. Há 3 dias da competição, o atleta passa a ingerir generosas quantias de carboidratos. Daí, o corpo depletado de carboidratos irá re-armazenar os mesmos e, por um mecanismo natural de auto-proteção, irá supercompensar as células tornandoas mais volumosas e os músculos mais aparentes.
A insulina, neste caso, é utilizada com o objetivo de drenar ainda mais os carboidratos ingeridos para dentro da célula muscular. Ocorre que se o atleta, nesta fase, não consumir quantidades suficientes de carboidratos, irá competir mais parecido com um “faquir indiano” e por outro lado se consumir muito carboidrato, o excesso acabará por reter líquido subcutâneo o que comprometerá a definição e assim o atleta poderá parecer mais com um balão inflado ou com a bolha assassina. A insulina irá garantir que todo o carboidrato consumido seja drenado para dentro da célula, ocasionando um surpreendente efeito quanto à definição e volume muscular!
Mas lembre-se que a insulina só será utilizada na fase de supercompensação e jamais quando houver depleção de carboidratos e que uma dieta rigorosa e muito bem balanceada é fundamental. A supervisão médica é essencial, não faça loucuras.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CONSULTADAS:
BENNETT GROUP. Chemical Warfare “The Anabolic Edge”. England, Stockport, 1995.
COLGAN, MICHAL. Optimun Sports Nutrition. New York, Advanced Research Press, 1993.
DAVIDSON, M. B. Diabetes Mellitus, Diagnosis and Treatment. 4 ed. Churchill Livingstone Inc.,
London. 1991.
GRIFFIN, J. E. & OJEDA S. R. Texbook of Endocrine Physiology. Oxford University Press, New
York, 1992
PHILLIPS, BILL. 1996 Suplement Review. Mile High Publishing Incorporeted, 1996
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